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quarta-feira, maio 31, 2006

O meu veneno

para o cardeal ratzinger, papa bento xvi


o silêncio de deus


deus permanece em silêncio
com o grito das bocas desenhadas
nos jornais nas revistas nos ecrãs
de televisão

deus está sempre em silêncio
quando o seu criador se manifesta
com raiva lúdica em aushwitz
bergen-belsen treblinka no kozovo
no iraque em eretz israel timor cuba
sudão chechénia afeganistão amazónia

o silêncio de deus é o silêncio do homem
bebendo o sangue da sua criação.

josé félix

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sábado, maio 27, 2006

O meu veneno

Poder popular

O governo de Portugal vai criar uma lei para que os professores sejam avaliados pelos pais dos alunos, portanto dos discentes. Há os docentes que são aqueles que têm capacidade para avaliar os discentes segundo os conhecimentos e saber adquiridos ao longo de um determinado tempo.
Não é a avaliação dos professores que está em causa. É, quanto a mim, uma questão de princípio, senão vejamos: um professor ganha capacidade para dar aulas depois de uma pós graduação, chamada de «profissionalização», e que se designava de «pedagógicas» anteriormente, com a duração de dois anos e um estágio devidamente avalidos. Essa profissionalização dá-lhe capacidade para dar aulas aos diversos ciclos de estudo dos discentes.
Agora, pergunto eu: porquê avaliar os professores se eles é que têrm a capacidade de avaliar os alunos? Porquê os pais ou comissões de pais avaliarem os professores, sabendo que a maioria deles só aparece no 3º período se os filhos estiverem em risco de reprovar?
É claro que há pais que são professores, uma minoria, advogados, engenheiros, médicos, polícias, militares, pedreiros, trolhas, cantores, strippers, artistas de filmes pornográficos, atletas, políticos e governantes, mas estarão eles capacitados para avaliar os professores dos seus filhos?
Há aqui uma falha de entendimento de quem quer fazer esta lei. Primeiro será necessário dar uma profissionalização aos pais com o saber e conhecimentos adequados para avaliarem os professores.
Há evidentemente outras formas de os professores serem avaliados e, parece-me, essas formas já existem: a formação contínua de professores.
Já, agora, quem avalia os médicos? Os doentes? Quem avalia a polícia? Os ladrões? Quem avalia os engenheiros? Os pedreiros? Quem avalia os empresários? Os empregados? Quem avalia os juízes? Os culpados de crimes?
Haja paciência!

1.
a manhã submerge
no litígio íntimo
do exílio

josé félix in lúdicas

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terça-feira, maio 23, 2006

O meu veneno

Algumas considerações televisivas

O programa Prós e Contras da RTP1 dirigido e moderado por Fátima Campos cujo tema foi o livro "Sob o signo da verdade", do Professor Maria Carrilho, remete-me para algumas considerações:
- Não ficou provado que a Comunicação Social é vulnerável ao dinheiro, assim como também não ficou provado que não é. O livro, que devia ter sido o tema da conversa, foi remetido para plano secundário com a inclusão do famoso video familiar do antigo candidato à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa e o famoso caso do «aperto de mão» que não se deu aquando do debate entre Carmona Rodrigues e Manuel Maria Carrilho. Foi um péssimo serviço, salvaguardando todas as teses proferidas por Pacheco Pereira e pelo jornalista da SIC Ricardo Costa. Ninguém ficou esclarecido acerca de coisa nenhuma, a não ser, uma vez mais, o retrato narcisista de um deputado À C.M.L e à Assembleia da República que não teve linguagem suficiente para esclarecer o que quer que tivesse que ser esclarecido.
Este assunto remete-me para outro, dias antes, quando no noticiário das 20:00 horas, José Rodrigues dos Santos noticia violência dos norte-americanos sobre prisioneiros em Guantanamo com imagens vistas até à exaustão em todos os canais noticiosos do planeta, da prisão de Al-Gharib, no Iraque.
Isto é desinformação e subversão ao mesmo tempo.
Ainda uma outra questão que me levou ao delírio humorístico foi o programa da RTP1, "Dança Comigo" quando a Sra. deputada Odete Santos ficou extremamente aborrecida com a charge de um elemento dos Gato fedorento que disse ter visto pela primeira vez um deputado suar. O «aqui para lá» durou o tempo suficiente para que os menos prevenidos tomassem conhecimento da grande escorregadela cometida pela Sra. deputada. Claro que ela sabe muito bem que o Gato Fedorento só disse aquilo que toda a gente também disse. O que ela pensava é que talvez não houvesse alguém que tivesse a coragem de fazer de advoggado do diabo e ter dito o óbvio. Se ela não tivesse entrado no campo dos Gato Fedorento o assunto esquecer-se-ia. Assim importantizou (este verbo está na página nº27 do livro Código 632 de José Rodrigues dos santos) o humor. Ela, seguramente, fuicou mal na fotografia.

PERFORMANCE
A Maurice Ravel e
Claude Debussy

de maurice ravel o coração bradicárdico
executa o bolero nos teus mamilos como figos maduros.
sorvo cada segundo do teu corpo. o tempo perde-se
na coincidência das coxas sedentas de sopros
com a linguagem dos frutos erógenos.
no gesto dos contrários arrepia-me a fonia
da cathédral engloutie que de sob as águas glaucas
respira la lys no sexo fremente, quente
a penetrar na vulva surrealista de dali.
acaricio as maçãs, os morangos, as cerejas
numa natureza morta, de experiência de gestos
vivos, no formigueiro dos testículos.
se tu me fazes em ti apeteço até à consumação do sumo.

josé félix

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sexta-feira, maio 19, 2006


Acaba de sair o nº9 da Di Versos, Revista semestral de Poesia e Tradução, número de Primavera. Esta revista divulgadora de poetas de língua portuguesa menos conhecidos também se dedica à arte grande da tradução feita por poetas cujos nomes não necessitam de apresentação como é o caso deste exemplar. Gastão Cruz, Ecanaã Ferraz, Luis Quintais, Antonio Cicero, Paul Verlaine, Sandro Penna, Marina Tsetaieva, Jacques Prévert, Antonio Machado, Eugenio Montale, juntos, poetas e tradutores.
A Edições Sempre-em-Pé está de parabéns pela continuidade deste projecto com qualidade na pessoa de José Carlos Marques, o seu director e chefe de redacção.
É um trabalho digno de nota que merece o nosso apoio, sabendo como é difícil manter uma obra de divulgação durante muito tempo com uma boa relação qualidade / preço que não deixa indiferente, estou certo, os potenciais leitores.

Que farei no outono quando ardem

Quer farei quando tudo arde?
Sá de Miranda

Que farei no outono quando ardem
as aves e as folhas e se chove
é sobre o corpo descoberto que arde
a água de outono
Que faremos do corpo e da vontade
de o submeter ao fogo de outono
quando o corpo se queima e quando o sono
sob o rumor da chuva se desfaz
Tudo desaparece sob o fogo
tuso se queima tudo prende a sua
secura ao fogo e cada corpo vai-se
prendendo ao fogo raso
pois ó pode
arder imerso quando tudo arde

Gastão Cruz

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quarta-feira, maio 17, 2006

O meu veneno

A subversão do discurso

O país anda amofinado com pequenas revoltas e indignações populares por causa da decisão governamental de fechar as salas de obstetrícia, as salas de parto, de algumas maternidades. Tanto o discurso governamental pelas vozes do primeiro-ministro José Sócrates e ministro da saúde, como o discurso de autarcas e comissões populares criadas para defender o lídimo interesse da população, principalmente das mulheres parturientes, pecam por defeito.
É verdade que as salas de parto das maternidades visadas, se não têm condições de segurança e higuene para as parturientes e respectivos filhos devem, pura e simplesmente, encerrar. Sucede que a visão economicista do governo cai por terra devido aos pressupostos apresentados, sem discussão pública, muito menos sem terem sido ouvidos os mais interessados.
Depois de ter visto e escutado os senhores que foram ao programa Prós e Contras da RTP fiquei com a sensação de ter visto uma discussão sem sentido, pois não obtive informação adicional àquilo que tinha ouvido anteriormente.
Se são necessários 1.500 partos / ano, no mínimo, para que uma sala de partos seja rentável e se pague aos especialistas e técnicos que assistem a unidade, é partir de uma ideia de produção completamente errada. Fazer filhos não está, seguramente, incluido nos meios de produção de um país; a não ser que se queira levar às últimas consequências a diatribe marxista-leninista quanto aos meios de produção e de produtividade.
O problema não é fechar as salas de parto das meternidades. É fornecer condições indispensáveis a essas unidades para que as mulheres parturientes sejam assistidas com a dignidade que merecem.
Andamos todos a fazer colóquios, workshops, fóruns, congressos, comissões de estudo disto e daquilo para que as populações se fixem no interior do país, e o que é que se faz? Fecham-se as salas de parto, depois, sem salas de parto não são necessárias as maternidades, e depois não serão necessários os hospitais porque haverá cada vez menos gente para ser medicada nessas unidades. Sem salas de parto, sem maternidades, sem hospitais, a população, em vez de se fixar, continuará a ir para o litoral do país.
Quantas salas de parto estão para fechar no litoral? Nenhuma.
Ora, sob este ponto de vista, economicista, e de produção, só me resta fazer um pedido: feche-se a Assembleia da República que é o local onde estão os políticos que são os elementos menos produtivos do país. Em minha opinião produzem ZERO!


tenho a certeza
da sorte que me coube
na sonolência
das flores moribundas

se acaso sei
da perfeição do pólen
que ruboriza
a face exposta à luz

é porque os lábios
que saem da fronteira
iluminada

pronunciaram
o primeiro sinal
da combustão.

josé félix in o movimento fácil das folhas

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terça-feira, maio 16, 2006

O meu veneno

Ultimamente nem sempre há a sorte em encontrar livros de poemas com o brilho do fascínio e que nos digam logo que estamos perante textos inovadores, diferentes, e com aquele travo subtil como se tratassem de bons vinhos, e o leitor o escanção de serviço.
É como um provador de vinhos que vos apresento três livros de poemas: "Livro das Passagens" de Maria Andresen, da Relógio d'Água, "Os Aromas Essenciais" do poeta moçambicano Guita Jr., da Editorial Caminho e "zona de perdas, livro de albas" de pedro sena-lino da objecto cardiaco

estou nu e Deus sobre a nossa morte

faz tanto silêncio que a memória sangra
e do seu pranto ouço levantar-se ninguém

(já não vejo o teu corpo chegar ao coração
nunca ouvi o teu corpo chegar de ti)
as aves tumularam o meu próprio canto
do dia nenhum em que te escrevo
nunca mais alguém se levantará

atirei a janela pelo rio cortado dos olhos
o peito sufocou-se
o meu corpo partiu para onde nunca o tive
e agora apenas as trevas pronuncio e caminho

há de nascer uma escada onde era o amor
um livro de albas que nunca foram noite
a sede de outros há de beber a luz
que nunca tu me abraçaste

e a noite sangra a espessura do amor

pedro sena-lino, "zona de perda, livro de albas, objecto cardíaco, Famalicão, 2006




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segunda-feira, maio 15, 2006

Este blogue é pessoal e intransmissível, apesar de as ideias nele contidas também serem pertença dos leitores que concordam ou discordam dos pressupostos nele anunciados. Sucede que de vez em quando aparecem umas rapariguinhas (pelos comentários que colocam, absolutamente vazios de sentido crítico, com cheiro a xixi de fralda) ou umas matronas com problemas hormonais, e que vêm descarregar as falhas sexuais para tudo quanto seja blogue, ou, ainda, alguns meninos com problemas de identidade de género que se acoitam nos nomes femininos para se babarem com proezas de mentecapto. Não é meu feitio responder em aberto a estas personagens do ridículo que não fazem outra coisa a não ser masturbarem-se através destes textos infantis.
Para os anónimos e anónimas que utilizam essa capa de cobertura para destilarem a diarreia mental, dedico-
-lhes esta dedicácia:

dos vermes presos na língua, a pústula
da boca sai como o pus de uma fístula
nas margens do esfíncter, ou no cu.
como o rei podre que dizem vai nu
o peão que pensa que é bispo ou cavalo
no trote, tal saber, o lacerda
não importa o nome porque é uma merda
despeja os intestinos, uma veia
e o que sai, senhores, é diarreia.

josé félix

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sexta-feira, maio 12, 2006

possa a morte arrebatar-me
enquanto penso, escrevo, leio.
Epicteto



o vento entrou nas veias.
como um tornado sacudiu a luz.
o sopro que se dirigiu ao coração
incendiou a escuridão que se fazia.

ressurrecta, no corpo reinventado
a voz de masculina mácula
tem outra melodia
que perpetua sombras leves, frágeis
no senso das palavras moribundas.

a morte tem-me sempre por companhia.

são sombras todas as árvores e
os pensamentos sobre as árvores. perco-me
na caótica ordenação das flores e o pólen, e o pólen
mancha-me o rosto no corpo vestido
de arlequim de picasso. entro no desenho de miró
e percorro a infância pendurado no balão à procura
da pomba de guernica.
ah desgraçada desventura
com as raízes das árvores a apertarem-me o pescoço
ah, velhice das ervas, das dálias, dos cravos, das magnólias e dos cactos
que sublinham a linha da existência.
ah, cavalo sem asas: anuncias o nada.
ah, maravilha do vazio, do vazio, do vazio.

bebo na água a minha imagem.
apodreço as confidências e alimento-me da carne apodrecida.
queimo-me. a cinza é o alimento na renovação do espaço
que se estreita e estreita como um rio a correr ao contrário
até desaparecer o leito e a memória e o rio e tudo.
não ficará a lembrança do fóssil
nem a lembrança da lembrança.
o teu rosto é um círculo de nada
e a voz, ó, a voz, sepultada no silêncio mais silêncio
aprisionada, não tem sentido sequer, nem um eco
porque o eco só existe se ouvires a fala da nebulosa
em expansão, em expansão, em expansão.

e no desenho de uma palavra
de uma simples palavra, parto sem chegar
na interrupção mais perfeita do sopro.

josé félix

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quarta-feira, maio 10, 2006

O meu veneno

Os portugueses vão a Espanha fazer compras de produtos de primeira necessidade porque em Portugal os mesmos produtos são mais caros: o IVA é menor o que embaretece os produtos. Compram gasolina, vão trabalhar, as mulheres já vão ter os partos em Espanha.
Não ficaria muito mais barato se o governo espanhol também governasse Portugal? Afinal não é só o ministro da conomia que é iberista. Há muitos mais portugueses que não se importariam com o ser governados a partir da Moncloa, em Madrid. Criticar o ministro, para quê? Ele só disse o óbvio.


intemporalidade

fujo da sombra
para ver a luz
do olhar sereno que cativa a fala
nos lábios limpos de oração e credo.

na sensualidade
do pedúnculo
as tuas mãos crescem no gesto fácil
lambendo o pólen pó da criação.

a flor presença
da ambiguidade
retém silêncio na carícia breve.

fácil é o movimento da folhas
enquanto dura
e para além da sombra.

josé félix

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quarta-feira, maio 03, 2006

O meu veneno

Esquerdismos e fundamentalismos

Todos os povos têm o direito de escolher o sistema político que querem. Os árabes, os judeus, os europeus, os asiáticos e os americanos.
Os sistemas políticos não podem subverter o direito dos povos à liberdade fundamental, física e intelectual.
O que se passa em alguns paises árabes e noutros países latino-amercanos é a subversão, pura e simples, ideológica, para manter os povos sob a alçada da propaganda de regime, mesmo que o poder tenha sido conquistado pelo voto, a consagração das democracias modernas.
Vejamos o que se passa com Cuba onde Fidel de Castro, na arrogância do impotente, mantém centenas de presos por discordarem da condução política do país, transformando-se em falso David perante o Golias de Washington; a Venezuela governada por um títere chamado Hugo Chaves que só se mantém no poder pela força dos militares; a Bolívia e o recém-chegado Evo Morales, eleito pelo povo e que agora desafia as grandes companhias petrolíferas, trocando-lhes a percentagem do lucro. O mais certo é o povo que votou nele, e não só, começar a ter dificuldades na aquisição de alimentos e outros produtos de necessidade básica devido à dificuldade em fazer escoar o gás e o petróleo nacionalizados.
o Irão não é muito diferente dos paises que atrás referi. O Irão só tem petróleo e pistachios. O Presidente do Irão convenceu o povo que o elegeu de que Alá trará a felicidade com a energia nuclear.
Todos sabemos que o Irão, o segundo maior produtor de petróleo do mundo, não está preocupado com as suas reservas, nem tem uma visão económica sobre o assunto. O problema é essencialmente político, dito aos sete ventos e quase todas as semanas, e tem a ver com a existência do estado de Israel.
Se o Irão tivesse dito que as centrais nucleares eram só para produzir energia e para fins científicos e não tivesse nomeado a eliminação do Estado de Israel, provavelmente a AIEA daria o seu acordo.
Assim, não! Nenhum estado pode querer a eliminação de outro seja por que via for.

os meus ossos
ao ivan junqueira


trabalho os ossos na vil paciência
de quem ainda tem caminho certo
requeiro a um e a outro a tal licença
pra se mover na vida o rumo incerto.
conforme a vida vai , e a mudança
dos ossos, soltos, e por fim liberto,
não choro o rosto dos que são usança
dos néscios fazendo dos seus protesto.
é nas ossadas que se mente a história
e se inventa a memória que não é
dos fracos, e se canta toda a glória
da vida nunca solta da ralé.
os ossos são só meus, de mais ninguém.
ninguém os cante nem sirvam a alguém.


josé félix

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