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sexta-feira, maio 12, 2006

possa a morte arrebatar-me
enquanto penso, escrevo, leio.
Epicteto



o vento entrou nas veias.
como um tornado sacudiu a luz.
o sopro que se dirigiu ao coração
incendiou a escuridão que se fazia.

ressurrecta, no corpo reinventado
a voz de masculina mácula
tem outra melodia
que perpetua sombras leves, frágeis
no senso das palavras moribundas.

a morte tem-me sempre por companhia.

são sombras todas as árvores e
os pensamentos sobre as árvores. perco-me
na caótica ordenação das flores e o pólen, e o pólen
mancha-me o rosto no corpo vestido
de arlequim de picasso. entro no desenho de miró
e percorro a infância pendurado no balão à procura
da pomba de guernica.
ah desgraçada desventura
com as raízes das árvores a apertarem-me o pescoço
ah, velhice das ervas, das dálias, dos cravos, das magnólias e dos cactos
que sublinham a linha da existência.
ah, cavalo sem asas: anuncias o nada.
ah, maravilha do vazio, do vazio, do vazio.

bebo na água a minha imagem.
apodreço as confidências e alimento-me da carne apodrecida.
queimo-me. a cinza é o alimento na renovação do espaço
que se estreita e estreita como um rio a correr ao contrário
até desaparecer o leito e a memória e o rio e tudo.
não ficará a lembrança do fóssil
nem a lembrança da lembrança.
o teu rosto é um círculo de nada
e a voz, ó, a voz, sepultada no silêncio mais silêncio
aprisionada, não tem sentido sequer, nem um eco
porque o eco só existe se ouvires a fala da nebulosa
em expansão, em expansão, em expansão.

e no desenho de uma palavra
de uma simples palavra, parto sem chegar
na interrupção mais perfeita do sopro.

josé félix

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