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quinta-feira, junho 29, 2006

O meu veneno

Frases feitas, citações e mais citações

O patriotismo é o sentido de amor e devoção à Pátria. O patriotismo não se desprende da família, recorda os vivos e os mortos, a terra natal, é olhar com devoção para o passado e para as origens da Pátria.
Isto quer dizer que se deve inculcar nas crianças e nos jovens este gosto pela Pátria através do conhecimento da História dos antepassados; quem foram, de onde vieram, porque estão aqui.
O sistema educativo falha em todas as premissas que levam à devoção pela Pátria, retirando dos programas os assuntos mais visíveis para que a juventude tenha gosto pela Pátria: redução do estudo do nosso maior representante que até tem um dia dedicado, Luís de Camões, Gil Vicente e outros. Só se estudam pequenos trechos dos autores portugueses nas escolas, e o sistema de política educativa incentiva à preguiça, à relutância pela leitura, mesmo que seja por puro ócio.
Os senhores jornalistas tanbém fazem parte desta desagregação social no que à devoção pela Pátria diz respeito. Publicam em capas de jornais e revistas frases como a "raça lusa", a "alma lusa", "vamos a eles", "duelo de gigantes", esquecendo-se que são só 11 actores de futebol que jogam com outros 11 actores de futebol. Este deve ser praticado solidariamente e não adversária mente. O futebol não deve ser um meio para engrandecer a Pátria. Os patriotas são os que, solidariamente, porque se é parte da humanidade, engrandecem o futebol. O contrário é uma perversão que leva ao hooliganismo, à violência e ao ódio pelo outro.

sonhar minhas asas, fazer-me pássaro
valéria d. dos santos


fazer-me pássaro


na sombra das asas concebo
o voo.

transporto um halo solar
até à claridade do rosto
e nos teus lábios de flor
bebo a permanência do pólen

pássaro faço-me
no teu corpo caminhos de fauno
na alvorada do desejo.


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domingo, junho 25, 2006

O meu veneno

A queda do mito

A ilha de Timor, a parte leste da ilha aonde os portugueses chegaram em 1518, 20 anos depois de Vasco da Gama ter descoberto o caminho marítimo para a Índia, viveu senpre com problemas regionais, quer causados pela presença dos portugueses, quer incentivados pelos holandeses com interesses na região, preincipalmente no comércio do sândalo.
Os timorenses, chefiados pelos liurais, chefes tradicionais, revoltaram-se sempre contra a presença dos portugueses, tendo culminado no morticínio de cerca de 90.000 pessoas, as revoltas havidas entre o ano de 1894 e o ano de 1912, como a célebre de Manufaí, fortemente reprimida pelas autoridades portuguesas.
Com o ano de 1975 e o abandono escandaloso de Timor Loro Sae da então Administração Colonial, o povo de Timor sofre a mais dura repressão de que há memória, tendo o governo indonésio como pano de fundo.
Entre falsos heróis e vendidos ao regime de Jacarta a Organização das Nações Unidas cria um Estado exemplar baseado no sistema democrático do mundo ocidental, corria o ano de 2002, em Maio.
Quatro anos depois basta transcrever o que disse o grande poeta e amigo de Timor Loro Sae, Rui Cinatti: «a autodeterminação é um direito que não se discute desde que esclarecido antes de amado. Ou simultâneamente amado e esclarecido»(1). Os portugueses demitiram-se do cumprimento de dar uma certa maioridade espiritual ao povo, e a condução do processo de descolonização, sem qualquer intervenção, foi fatal para o povo timorense.
O problema acresce com a entrada de interesses geoestratégicos, dos autralianos e dos japoneses ,quanto ao petróleo. Eu designaria actual crise que se vive em Timor Loro Sae como a crise do petróleo. O poder coprrompe-se, corrompe, enche os bolsos e o povo sobrevive com o arroz fornecido pelas Organizações não Governamentais que também comem uma fatia do dinheiro da corrupção.

(1) CINATTI, Ruy (1992), Obra Poética, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda


dejaré de quererme
sí me quedo
ahora

paula paixão


sí me quedo


à sombra da figueira
a água corre leve
no cântaro das pedras.
os teus seios são figos
maduros no sabor
religioso e doce
da dádiva do fruto.

se partes permaneço
árvore sedutora
aonde regressarei
e desenhar a água;
se ficas partirei
com o calor e o vento
das palavras maduras
colhidas na folhagem

não me peças que vá
ou fique no entretanto
do tempo sem medida.

josé félix

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segunda-feira, junho 19, 2006

não flui o murmúrio de sílabas
xavier zarco


bebo as palavras
rio do teu corpo

navegação de gestos
sob a água
no concílio do olhar
reclama a dádiva
da foz escondida
no murmúrio de sílabas.

dou-te na prece
o que me dás
palavras
soltas dos lábios
frases do meu corpo.

josé félix

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quinta-feira, junho 15, 2006

O meu veneno

Portugal é o país da União Europeia com a maior percentagem de analfabetos. Ronda o milhão. Contudo, os últimos estudos revelam uma percentagem de 17 a 20%.
Pergunto: ainda querem que os pais avaliem os professores que são os agentes de educação que lutam todos os dias para que os filhos desses pais, a maioria deles analfabetos (analfabeto, hoje, não é só não saber ler nem escrever) possam sair daquelas percentagens negativas?

a lau siqueira

pequenas chuvas

tenho a memória o zinco das goteiras
na dolência de março sossegado
de chuvas temporais. a caminhada
dos pássaros é o delírio o voo
a livre concorrência da escritura
na obra do orvalho do poeta só
manipulando o fogo da palavra
- uma cinza semeia no próprio corpo
o húmus que alimenta o tronco fálico
do imaginário de pequenas chuvas.
morre a infância lúdica o feitiço
das árvores eternas a adolescência
dos ramos carcomidos pela voz
adulta burilando as pedras mudas;
sísifo e tântalo buscando a sede.

josé félix

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terça-feira, junho 13, 2006

na sala nem a sombra de um retrato
nomeia a luz do rosto que pertence
aos cílios finos da memória intrusa.
eu queria, mãe, ver-te envelhecer
sem que a escrita comprometesse a vida
e o engelhar da folha fosse só
um pequeno sorriso na respiração da árvore.
construo-te ruga a ruga na velhice
perfeita de uma tela antiga
mas dói-me a fala porque a tua juventude
cala a voz do desejo da flor íntima.
que coisas poderíamos ter dito
na geografia de gestos e na
paciência das estações.

josé félix in fácil é o movimento das folhas

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sábado, junho 10, 2006

O meu veneno

A falsa auto-estima

Começou o campeonato do mundo de futebol . Milhares de adeptos convergiram para a Alemanha para o apoio das selecções dos seus países. O futebol movimenta milhares de pessoas dentro e fora dos recintos desportivos pelas melhores e piores razões. É um desporto onde entram sempre duas partes, e logo há uma luta pelo ganho o que pressupõe a arte de levar de vencida o outro contendedor. Há um despique saudável para ver quem vence o lado contrário.
Uma selecção de futebol é uma reunião de jogadores cujo seleccionador pensa serem os melhores numa teia de clubes. Uma selecção de futebol é um conjunto de onze jogadores, em campo, que joga contra outros onze jogadores, em campo, de outra selecção de futebol. Quando a selecção de Portugal joga com ( note-se que eu digo com) a selecção de Angola, não é Portugal que está a jogar com Angola, muito menos é Angola que está a jogar contra Portugal; são onze jogadores de Angola que estão a jogar com Portugal, . São onze jogadores portugueses que jogam com onze jogadores de Angola. (1)
A auto-estima tem que ver com o desenvolvimento do país; não tem que ver com jogos de futebol. O futebol é um desporto saudável como outro qualquer que deve ser tomado, também, como uma forma lúdica, apesar, claro está, de ser uma actividade desportiva amadora e profissional, sendo que esta última envolve valores excepcionais levando ao branqueamento de dinheiro e à corrupção. Leia-se o livro sobre o assunto de José Luís Arnault, assunto investigado a pedido da União Europeia.
Que vença a selecção que ptraticar o melhor futebol, com lisura e respeito pelo outro.

o teu olhar
tem a fragilidade da água.
o único gesto
diz-me as coisas possíveis
a iluminação das folhas
a ligação das árvores no voo
de um pássaro.

josé félix
(1) Jorge Luís Borges

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quinta-feira, junho 08, 2006

O meu veneno


A guerra é uma brincadeira

O conflito em Timor-Leste é de natureza regional. Está em jogo, sabe-se, o petróleo no mar de Timor, além de problemas sombriamente políticos com a reinserção de militares excluídos, principalmente daqueles que antes estiveram na mata, como guerrilheiros, a fazer frente ao domínio indonésio. Com a extensão do conflito à generalidade do território e devido à incapacidade do governo local tomar conta da situação, aparecem exércitos de outros países, a pedido, para pôr fim à contenda. Claro que os australianos, por causa do interesse geoestratégico acorreram logo a tomar conta daquilo que é o seu interesse. Não se percebe é muito bem a teimosia do governo português em enviar um contingente da GNR mal preparado, sem equipamento disponível à chegada, partindo de uma zona do outro lado do planeta com um atraso de quase duas semanas.
Daí a fricção entre os soldados da GNR e os soldados australianos, que é o mesmo que dizer, entre o governo australiano e o governo português. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, como em outras ocasiões, avaliou mal a situação, sabendo da fragilidade de um país como é Portugal perante um país poderoso que tem aparecido em todos os conflitos do planeta, com o aval ou não da ONU.
Ficaria mal ficar sob o comando australiano? Não ficou mal ficar sob o comando italiano e inglês no Iraque? Qual é a diferença? Timor foi uma colónia portuguesa? Foi! Foi abandonada sem orgulho como noutras colónias o fez, deixando cair o opróbrio sob a geração futura.
Só um nacionalismo bacoco faz ter atitudes que não têm sentido algum.

haicai / haiku

da janela enfeitada
com bambus
olho o velho carvalho

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segunda-feira, junho 05, 2006

O meu veneno

O grupo paralamentar do Partido Social Democrata apresentou um projecto na Assembleia da república para a criação do Dia Nacional do Cão. As discordâncias vieram de quase todos os quadrantes. Eu discordo das discordâncias. Mais, crie-se o Dia Nacional do gato, do mocho, do corvo, do pardal, do sardão, da lagartixa, da barata, do canário, do hamster, do lobo, do javali, do lince, ah, e dos porcos. Um Dia Nacional dos Porcos, e quase que englobaria a bicharada toda. Não era preciso o Dia Nacional da Mulher, o Dia do Pai, o Dia da Criança. Bastaria o Dia Nacional dos Porcos. A discussão começaria e acabaria aí.



simples e inocentes


tenho o sabor das cerejas nos lados da língua.
escansão dos pomos lácteos, és o meu leito
no travo do mosto de novembro.
que me importa deus se me bastam as coxas pedintes
onde rezo o meu rosário de orgasmo e sémen
sem a visão última da escada de jacob?
degrau a degrau perco o sonho de nabucodonosor
na interpretação dos pássaros do profeta.
não tenho animais à sombra e a árvore degolada
é o exílio do xilema no diâmetro do silêncio.
há um mergulho no sexo, na bebida do desejo
que transforma a ideia mais pura na mais puta ideologia.
a palavra é um escarro, um vómito
que sai das bocas mais puras, simples e inocentes.


josé félix

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