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quinta-feira, agosto 24, 2006

À morte da personagem literária Paula Paixão


a morte da personagem


não sei se viste cair do álamo
as folhas de verão quente aqui em sintra
pareceu-me que o inverno tinha chegado mais cedo
quando a brisa desfolhava os ramos
e o amontoado delas no jardim parecia flocos de neve
como nos filmes americanos.
li e amei a paula com uma paixão de criança
e lembrava-me de todas as paulas semi-louras
com uns olhos castanhos de dor e ciúme doentio
e doía-me a voz quando o vento quente
me fazia desenhar com os dedos um aperto
na garganta presa de tantas palavras arredias.
eu não sei como se mata um personagem
e a literatura mais convencional, se é que se pode
chamar a qualquer literatura de convencional
não dê explicações plausíveis de como se faz.
talvez seja mais simples arranjar-lhe um aperto mitral,
um cancro, uma diabetes ou uma doença de parkinson.
matar um personagem com o carácter construído de quem lê
é a dor construída através da escrita
é a premonição de alzheymer, das palavras corruptas
de quem desfere o último golpe do estilete de aço.
ah, como eu gosto da paula com uma paixão de gramática
que os rios do país se transformam em emblemas do ambiente.
a circunstância literária da morte pode ser doce
quando o vazio da escrita assola o pequeno pormenor
de uma vivência que corroeu o leitor.

josé félix

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