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domingo, agosto 27, 2006

O meu veneno

Poesia e Internet

É preciso distinguirmos a poesia que se faz na Internet da poesia que se divulga na Internet.
Há dias, precisamente no dia 18 deste mês, li no jornal italiano L’espresso um artigo sobre o tema o qual me merece alguns reparos. Se, por um lado, Nanni Balestrini tem razão ao afirmar que as editoras se constrangem a publicar poesia, passando-se a mesma coisa em Portugal, na Internet há um manancial de sítios onde se divulga e publica poesia em primeira-mão, de qualidade, por outro lado há muito lixo, eu diria que existe a mesma quantidade de lixo, tanto quanto existe nas livrarias e as editoras não se coíbem de o publicar pelo selo fácil do lucro e de proventos rápidos.
Não concordo, de todo, com as conclusões de poetas e críticos, (serão provavelmente os mesmos que por aqui abundam, os oficiais, os do sistema, os do regime) que dizem que na Internet há o que de pior se publica, sem qualquer tipo de orientação.
Ora, o poeta não precisa de qualquer tipo de orientação a não ser aquela que a própria vivência lhe dá. O segundo ponto dos três que alguns críticos e poetas chegaram informa que o poeta tem outros canais alternativos, que não a Internet, para se darem a conhecer, como as revistas, festivais e leituras públicas. Todos sabemos que as revistas só publicam quem querem e, normalmente, aquelas que começam por dar alguma visibilidade à poesia, deixam de o fazer sabe-se lá por que razões. Um exemplo disso é a revista 365, que já vai no nº23 e da qual sou assinante desde o primeiro número, que fez publicar vários poetas, conhecidos, menos conhecidos e desconhecidos quando os editores foram José Luís Peixoto e Fernando Alvim. A partir de determinada altura deixaram de o fazer e, mesmo, pedindo para me informarem de tal razão recebi uma resposta de silêncio.
É claro que há muito exibicionismo nos blogues. E não há exibicionismo com a publicação de livros sem sumo cujo único efeito é os autores aparecerem nos ecrãs de televisão, e, até o jornal credível como o Jornal de Letras, Artes e Ideias lhes dá cobertura?
Umberto Eco, o autor do artigo, e fazendo-se, ele também, eco da norma, do "oficial", termina assim:

“E gli altri? E gli 'scemi del villaggio', e i navigatori compulsivi che non si staccano dal computer e non sanno che esistono le riviste e i festival? A morte, come è sempre avvenuto anche prima di Internet, quando schiere di lemming poetici sono caduti nelle fauci delle 'vanity press' e dei premi fasulli pubblicizzati sui giornali, e sono andati a ingrossare le fila di quell'esercito sotterraneo di autori a proprie spese che marcia parallelo al mondo 'ufficiale' delle lettere, e da esso ignorato lo ignora. Con il vantaggio che, potendo pubblicare su Internet i loro samisdat, i cattivi poeti non andranno a ingrassare gli sciacalli della poesia. E con la possibilità, siccome la bontà dell'Altissimo è infinita, che anche in quel brago infernale possa talora sbocciare un fiore.” (O negrito é meu)

Eu concluo: -Há academias de música, conservatórios de teatro, cinema e música. Será que os milhares de alunos que ingressam nessas escolas vão ser todos actores e músicos de primeiro plano? Todos podem aprender mas só aqueles a quem for concedido o inato ofício da representação, da escrita e da música chegarão ao patamar do conhecimento que os fará sair do labirinto e os levará para voos grandiosos, até mesmo perto do sol.
Por isso termino dizendo que num jardim de dálias há sempre uma mais bonita do que outra.

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