<$BlogRSDUrl$>

sexta-feira, agosto 11, 2006

O meu veneno

Regresso

Regresso de férias após dez dias de descanso. Sem telemóveis, jornais, rádio e televisão. Nem sequer a transmissão oral de notícias. A ilha da Fuzeta, que faz parte da Reserva Natural da Ria Formosa, é um paraíso entre o oceano Atlântico e o Mediterrâneo, e, por isso mesmo, onde a beleza natural inspira e incita ao ócio.
Quando partí havia a guerra no Iraque, a guerra entre Israel e o terrorismo do Hezbollah no Médio-Oriente, ataques dos taliban no Afganistão, o início das eleições na República Democrática do Congo (Kinshassa) e outras guerras ou o princípio de muitas outras em vários pontos do globo. Quando regresso continua a guerra e a matança no Iraque entre várias facções religiosas, os sunitas e os xiitas, a guerra entre Israel e o terrorismo do Hezbollah atinge picos nunca vistos desde 1948, os taliban continuam a atacar o exército britânico no Afganistão, e, ainda, vários focos de tensão em muitos pontos do planeta. Tudo na mesma. Ou quase.
Estive em Faro, na Feira do Livro daquela cidade, onde fiz uma sessão de leitura a convite do meu amigo poeta Fernando Esteves Pinto e encontrei outros poetas, como o Pedro Afonso, João Bentes, Luís Ene.
Dos livros que vi no espaço da Sulscrito destaco um, de Luís Ene, bilingue e com o título em castelhano, "Muchas Veces Me Sucede Olvidar Quien Soy".
Luís Ene parte de um certo conceito sobre a morte para a tornar o fio condutor do livro de poemas. Parco em palavras cuja ideia transmite na epígrafe que abre a leitura, " Não uses duas palavras se uma bastar", o discurso poético vai nos entretecendo na poesia, colocando-nos defronte ao espelho mesmo que isso nos assuste[pág.12]. Vamos sempre ao fundo desde que estejamos vivos[pág.14], nos encontros e desencontros de horário certo[pág.20], na abertura ou no fecho de um livro[pág.26], quando se deixa de escrever ou se procura na literatura o que está dentro de nós[pág.28]. Tuso se pode dizer em meia dúzia de palavras[pág.34], progredindo ou recuando na procura de ser feliz e nas falas do silêncio[pág.44].
Escrever um livro, talvez não seja como o prostituto que não aceita a mesma cliente segunda vez[pág.48]. Vamos, sei lá, escrevendo o mesmo livro, pensando que é o único e diferente de todos os outros. Por isso mesmo, "Muitas vezes sucede esquecer-me quem sou".

semente

na primeira semente
vi a flor
a árvore solta
de um exílio feito
de frutos mudos.
a última promessa
desfez-se no sabor da língua frágil
no envelhecimento
da folhagem
que beija o chão vazio
de raízes
secas de sede no futuro em chama.

josé félix

| |

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer