<$BlogRSDUrl$>

quarta-feira, setembro 27, 2006

O meu veneno

Os pactos sempre me cheiraram a conspiração. Não é que estejam na moda e daí possa advir qualquer pecado de lesa-magestade. Sempre tive, e tenho, receio dos pactos sejam eles quais forem e sobre que matérias eles sejam constituídos.
Vejamos! O pacto (entre os dois partidos que partilham a governação do país) da Justiça deixou de fora pontos importantes como os crimes de «colarinho branco» e os crimes cometidos pelos dirigentes desportivos.
Em Portugal separa-se tudo. A justiça não é só uma teia que apanha apenas os mosquitos, deixando os moscardos de fora, mas é composta por várias teias cujas aranhas trabalham cada uma de per si, cada uma com a sua pequenina lei. O desporto não tem a ver com a Lei Penal comum e é ver o chorrilho de disparates que os grandes e pequenos clubes dizem e cometem, as intervenções públicas dos seus dirigentes como se estivéssemos em período pré insurreccional. A falta de cultura (no sentido de kultur - a de Werther - versus zivilisation) exprime-se através da arrogância como prémio da ignorância e da estupidez.
Os pactos, da Justiça, da Segurança Social, da Educação, da Cultura, da Agricultura, da Saúde funcionam como as teias da Justiça.
O único Pacto que deve ser feito é o Pacto de Regime Único patra o Estado. O resto é Show Off!


5.

um velho distribui miolo de pão
pelos pardais.

as crianças comem amoras silvestres.

a vida é simples: um passo depois do outro.



josé félix vagabundagem (folheando os dias)
um tributo ao poeta chinês do século VII Han-Shan

|

domingo, setembro 24, 2006

4.

as cigarras cantam
nos pinheiros bravos.

as pinhas estalam com o calor do verão.

dou conta da visita dos amigos
que trazem vinho e conversa
entre fatias de queijo serrano.

o cheiro forte da caruma dos pinheiros.



josé félix vagabundagem (folheando os dias)
um tributo ao poeta chinês do século VII Han-Shan(1)



(1) Han-Shan, poeta chinês que viveu provavelmente no século VII.
O seu nome está associado ao budismo Chan (Zen em japonês)
sendo-lhe atribuídos 311 poemas. Foi dado a conhecer no Ocidente
através de poetas da Beat Generation, nos anos 50
in http://www.cavalodeferro.com

|

terça-feira, setembro 19, 2006

O meu veneno

De vez em quando, na rádio, na televisão e nos jornais vem uma notícia acerca de personalidades da sociedade portuguesa que se distinguem no campo das artes, da economia, da política.

Quando se quer enaltecer o espírito empreendedor, a capacidade criativa e o desenvolvimento de uma pessoa em qualquer daquelas actividades, medem-na em cavalos-força dos seus automóveis: "quando começou tinha um «quatro cavalos», para dar a entender que agora, depois de ter vendido muitos quadros, de ter vendido muitos livros, de ter adquirido muitas empresas, de ter subido na carreira política (sim, a política tem uma carreira e é uma classe) tem um BMW, um Mercedes Benz, um Saab último modelo. É muito mau quando uma pessoa se mede pelo número de cavalo-força dos automóveis que vão adquirindo ao longo da vida.

Provavelmente os visados são totalmente alheios a essa «medida» material. Provavelmente eles sejam proprietários de um cérebro como o disse Ludwig Van Beethoven a um dos irmãos, Johann.

Cést la vie!

3.

envelheço como a árvore que me dá a sombra.

apesar de tudo o meu olhar é jovem
e tremo quando toco nas flores de laranjeira.

vens sempre de tarde
quando o sol ruboriza as faces.


josé félix vagabundagem (folheando os dias)
um tributo ao poeta chinês do século VII Han-Shan(1)



(1) Han-Shan, poeta chinês que viveu provavelmente no século VII.
O seu nome está associado ao budismo Chan (Zen em japonês)
sendo-lhe atribuídos 311 poemas. Foi dado a conhecer no Ocidente
através de poetas da Beat Generation, nos anos 50
in http://www.cavalodeferro.com


|

quinta-feira, setembro 14, 2006

O meu veneno

O país bandido

O processo do «apito dourado» que alguém já lhe chamou de «apito duradouro» devido ao tempo que anda a decorrer, pode vir a ser considerado inconstitucional.
Só num país bandido isto pode acontecer.

2.

leio-te nas folhas secas
e percebo a longevidade das pedras.

a fala é um rio que sussurra
nas cachoeiras, e nas fragas
se deixa cair na púbis
enfeitada com jacintos.

o olhar é a diferença repetida.

josé félix vagabundagem (folheando os dias)
um tributo ao poeta chinês do século VII Han-Shan(1)



(1) Han-Shan, poeta chinês que viveu provavelmente no século VII.
O seu nome está associado ao budismo Chan (Zen em japonês)
sendo-lhe atribuídos 311 poemas. Foi dado a conhecer no Ocidente
através de poetas da Beat Generation, nos anos 50
in
http://www.cavalodeferro.com


|

quarta-feira, setembro 13, 2006

1.

desenho silêncios
nas folhas em combustão.

os braços são como os ramos do carvalho
presos no vento.

como posso regressar à terra
com outra escritura?

a água da chuva limpa-me
a língua na ira das palavras.


josé félix vagabundagem (folheando os dias)
um tributo ao poeta chinês do século VII Han-Shan(1)



(1) - Han-Shan, poeta chinês que viveu provavelmente no século VII.
O seu nome está associado ao budismo Chan (Zen em japonês)
sendo-lhe atribuídos 311 poemas. Foi dado a conhecer no Ocidente
através de poetas da Beat Generation, nos anos 50
in http://www.cavalodeferro.com

|

sexta-feira, setembro 08, 2006

O meu veneno

Os europeus, menos os britânicos e os espanhóis, estão muito preocupados com os direitos humanos dos terroristas que estão presos nas cadeias secretas dos Estados Unidos espalhadas pelo planeta. Estão preocupados com a utilização dos seus aeroportos e das bases militares americanas negociadas com alguns países europeus para passagem de aviões que transportam terroristas que mataram inocentes deixando milhares de vítimas com as quais ninguém se preocupa com os direitos humanos.
Esses países não se preocupam com os direitos humanos dos miseráveis que pululam as urbes e dormem nos caixotes de lixo, em cima de papelão, nos túneis abandonados, nos subterrâneos dos metropolitanos; não se preocupam com a dignidade que deve ter um ser humano pagando-lhe o salário justo para ter uma casa condigna, educar-se e dar educação aos filhos. Preocupam-se com os terroristas assassinos que matam e matam-se com o mais abjecto desprezo pela condição humana.
O Governo português diz que não tem conhecimento oficial da vinda de militantes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Eles estiveram na festa do PCP, com um espaço onde divulgaram revistas e outro material de propaganda. Será que a FARC que é considerada pela União Europeia uma organização terrorista iria pedir ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português ou ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras autorização para entrar em Portugal para a Festa do Avante?
Não tem conhecimento oficial? Este país é o País Maravilha!


O ofício da Parca

A palavra sobeja na lembrança
da mensageira
que transforma a notícia
na tragédia

Conveniência apropriada e tónica
aconchegando a causa
no sujeito
do leito que desenha a água limpa.

A Morta corta o fio com doçura
e mantém firmes
lábios de mercúrio

quando em silêncio parte
com o ofício
que não lhe cumpre dar saber a Júpiter.

José Félix

|

terça-feira, setembro 05, 2006

O meu veneno

Há guerra no Iraque? Não! Há guerra no Afeganistão? Não? Existe a Al-Qaeda? Não! Morreu Bin Laden? Não! O Líbano é a Suiça do Médio oriente? Não! Rebentam bombas na Turquia? Não! Há terrorismo islâmico? Não!

O único problema que fere a dignidade nacional é o «caso mateus».


ao poeta baiano carlos barbosa

fugir, jamais
escapar, sempre

Carlos Barbosa

no inquietante silêncio vens, capricho
da transumância, no rastejo de bicho,

apalpando ofegante a vida por um fio,
sem rede ou teia que a segure do frio

fino estilete que arrefece o sangue,
e devagar escorre pleno sem que

o tronco preso nas grossas raízes
seive o ramo das folhas meretrizes

na fuga que se escapa sempre se apanha
a morte que se ilude na vida ganha.

josé félix in agora e na hora da nossa morte
2006.08.27

|

sexta-feira, setembro 01, 2006

O meu veneno

Não há nada a fazer. O povo português pensa pequenino. O que interssa é o quarto, não é o bairro, a cidade, o país. O que interessa é o meu terreno, não a reforma agrária. O que interessa é o clube da minha cidade, não é a selecção.
O "caso Mateus", do Gil Vicente, é o paradigma daquelas afirmações.
Claro que compete, de dever e obrigação, à Comuinicação Social informar sobre quase tudo. Digo «quase» com alguma relutância por ver nestes últimos anos o «quase» esvanecer-se através de fugas de informação dos ministérios, dos Tribunais. Também compete à Comunicação Social não injectar overdose de informação sem qualquer filtro, rigor e, acima de tudo, sem transcrever as devidas fontes.
A novela «caso Mateus» abre os telejornais, ocupa capas de jornais e revistas, e as rádios poluem os ouvintes com excesso de coisa nenhuma. O Gil Vicente quer, recorre aos tribunais administrativos com providências cautelares, e os clubes que estão na Liga dos Campeões na Taça UEFA e a própria Selecção que se danem.
O Poder que nunca está atento, e está sempre em gozo de férias, seja na época de incêndios florestais, seja na época de cheias, demite-se de tudo.

bonsai

tenho um bonsai na boca
que envelheço prematuramente.
é uma doença
fabricada no mais estreito silêncio
com a paciência mortal e possível
dos vivos que se deixam estar
com os olhos de luz tão baça e doce
a ver passar a sede como se ela
pertencesse a outro território.
espero, não aguardo, que o fruto cresça
no ramo frágil, aparentemente forte
da árvore anã que embeleza a tristeza
acorrentada e prisioneira da estética
─ trabalho de melancolia pura
se isso fosse engenho na arte de morrer.

josé félix in agora e na hora da nossa morte

|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer