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domingo, outubro 15, 2006


O Canto dos Pássaros – Pablo Casals e Al-Chaer

Sento-me. Limpo o cérebro das possibilidades da inconveniência e escuto o Canto dos Pássaros de Pablo Casals. Alberto Vilela Chaer, Al Chaer, está perto. A partitura mistura-se com o som da música de Pablo e começo a percorrer os vários andamentos na pujança do erotismo, da sensualidade na traficância das palavras, mesmo quando o Poeta as reduz a meros sinais de transfiguração da realidade.
Al Chaer manuseia as palavras com carinho, roça-lhes os lábios, beija-lhes os cílios e, por vezes, em gestos contrários ao corpo titila-lhes o íntimo com a segurança de uma paixão controlada.
O ofício da escritura com o sentido lúdico, quase brincalhão, prospera em alguns poemas com uma semiose perfeita transportando o leitor atento para uma série de significados e significantes ad infinitum sem aquele cansaço que se consegue ao ler mesmo um poeta de génio. A leveza, a água a percorrer o corpo do objecto que é o livro, contorna cachoeiras, margens simples e agrestes na atenção que tem pelo que se passa no planeta, tão diversa, irónica, séria, humorada é a linguagem utilizada. O Poeta busca na ancestralidade poética árabe alguns recantos como se um vírus percorresse o discurso poético. Lúdico com as palavras, brincando-as como um jogo de lego, por vezes, o poeta constrói a “partitura” poética cuja sonoridade nos embala, nos comunica, nos domina durante e após a leitura.
O Cantos dos Pássaros foi-se e deixa um rasto de fogo nas palavras de Alberto Vilela Al-Chaer (O Poeta).

partitura

neste momento
todas as músicas
têm teu nome
teu tom
harmonia
pelo teu corpo sigo
as teclas do sonho
e depois
me arranjo

lição de peixes

nada
como um dia
após o outro.
al chaer

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