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segunda-feira, novembro 27, 2006

O meu veneno

TLEBS

Para quem não sabe, TLEBS é a Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário. É um instrumento que alguns linguistas e professores da Associação de Professores de Português desenvolveram para designar, descrever e instituir factos da língua portuguesa.
Sabe-se que a língua, e a portuguesa é falada por mais de duzentos milhões de pessoas que vivem em territórios os mais variados, é uma coisa viva e sofre de aculturação de toda a espécie. A língua portuguesa fala-se não só em Portugal como se fala no continente africano, no continente americano, e na Ásia.
Assim, discordo do condervadorismo de Miguel Sousa Tavares quando ao emprego de algumas designações (ele deu o exemplo do nome contável não humano «cão», segundo a Tlebs ou substantivo comum concreto masculino do singular segundo a NGP, Nomenclatura Gramatical Portuguesa que vigora desde 1967). Concordo com o Miguel de Sousa Tavares no que se refere a que seria melhor arranjar termos mais fáceis de memorizar e bem mais simples de explicar)
Há aspectos interessantes na Tlebs mas também penso que poderiam ter aproveitado muito da NGP.
Não são os linguistas que fazem ou criam a língua. É o povo, no seu dia-a-dia, através da comunicação com os outros que falam a mesma língua e com os outros que falam uma língua diferente, que vão criando palavras novas, monossémicas e/ou polissémicas, devido à aculturação.

a casa é a fábula da infância.

josé félix in teoria do esquecimento

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quinta-feira, novembro 23, 2006

O meu veneno

O jogo do gato e do rato

Até parece que o mundo não foi sempre assim: o gato atrás do rato, e este a fintar o gato de vez em quando, até que a distração o leve para a morte. Há uma pequena fábula, de Franz Kafka que espelha muito bem esta atitude do pequeno felino doméstico que, pela importância que tem coloco-o aqui, deste modo:
- “Ah, disse o rato, “a cada dia que passa o mundo se torna mais estreito. No começo ele era tão amplo que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz por ver à distância, finalmente, as paredes da direita e da esquerda, mas essas longas paredes dirigem-se tão rápidas uma para a outra, que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para onde eu corro.”
_”Você só precisa mudar de direção”, disse o gato e devorou-o. (Franz Kafka – em: Pequena Fábula).
Os passeios dos militares, as manifestações dos professores e alunos, as burlas dos dirigentes desportivos; os dirigentes desportivos indiciados que gritam na praça pública aquilo que disseram nas inquirições judiciais e que, é suposto, está em segredo de justiça. Todos eles a serem fintados pelo Governo, de uma forma ou de outra, e o Governo a ser fintado por ele próprio.
Só falta completar a outra parte da fábula de Kafka: aparecer o cão que dê cabo do gato e deixe o rato em paz.

11.

todos os dias vou cavando a casa.
se há pequenos pormenores é
pela importância que se dá à ilusão
criada, na certeza de se facultar
certa fragilidade em recompor
alguns objectos da memória antiga.
e no ofício de lavradura imperfeita
é que recolho os frutos da acidez
de uma árvore feita literatura
adormecendo o sono na vigília
das sombras que povoam a habitação.

josé félix in teoria do esquecimento

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terça-feira, novembro 21, 2006

em belmonte tenho o olhar semita,
sobranceiro até, do castelo de granito
medievo onde o olhar se alonga
para ver mais além;para ir a terras de santa cruz
com pedro alvares cabral, filho da
judiaria, e caminha que escreveu a carta.

centum cellas adormece
na cova da beira, à beira do zêzere.

josé félix





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quarta-feira, novembro 15, 2006

O meu veneno

Um país de incompetentes

A cada passo se ouve falar de cidadãos portugueses que «lá fora» conseguem pôr em prática as suas ideias como pensadores, filósofos, cientistas, professores. Há também cidadãos portugueses que trabalham nas empresas multinacionais onde os parâmetros de produção são elevados para competirem neste mundo globalizado e liberal.
Portugal afasta-se irremediavelmente, e de forma negativa, dos outros países europeus, mesmo daqueles que agora entram para a União Europeia, de onde vêm imigrantes qualificados, fazendo estes com que Portugal não desça ainda mais na tabela classificativa do desenvolvimento.
Ora, se os cidadãos portugueses cumprem as metas de produção nas empresas dos países que os acolhem, se os cidadãos portugueses criam e são aceites como massa criativa nesses países, só me resta chegar a uma conclusão: este país foi e é governado por incompetentes que fazem da política profissão, arredondando os seus salários com o garrote dos impostos que aperta o pescoço dos cidadãos que já vivem com a língua de fora.

lapsus memoriae


se te consola
dou-te, meu amor, a tarde inteira.

eu só preciso
do relance da tua sombra
para lembrar
o sorriso.

josé félix

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quinta-feira, novembro 09, 2006

nove de novembro de mil novecentos e quarenta e seis

Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Porque me afadigo em vão, se o fim é a nudez?
Páladas de Alexandria(séc VI-V d.C)




Frágil e despojado vem o primeiro
grito como uma faca que fere o vento,
e o sopro magoado encarcera o corpo
no casulo da seda onde a outra mãe
acaricia o lábio com o silêncio
das mãos, que viram ser a vida precária.
Na vida fatigada, na precisão
do tiro da existência, de rojo andamos
à procura do doce ácido a mel,
numa fome execrável de brilho falso,
onde cobrimos de nudez nossos corpos
na mentira do espelho que em vão irradia
o sol nos rostos simples de admiração.
Será o último grito como o primeiro,
na certeza dos nossos corpos, no início
quentes e com afago de muitos lábios,
e por fim frios, póstumos, magoados?
Tal como este poema, e desgraçadamente
nu, viverá morrendo na eternidade.

josé félix

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quinta-feira, novembro 02, 2006

9.

a mão que prende a frase
na iniciativa
da construção perfeita; qualquer morte
é a substância da semente única

da vida que sobre ela
vai cavando
falecimento, da constância tida
ao logo do caminho caucionado.

porém, uma palavra se desprende
dos dedos na falésia do gesto
no voo aquecido da memória.

a ideia construída permanece
na convulsão do caos. vai ardendo
tímido lume no braseiro de cinzas.

josé félix in teoria do esquecimento.

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