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quinta-feira, novembro 09, 2006

nove de novembro de mil novecentos e quarenta e seis

Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Porque me afadigo em vão, se o fim é a nudez?
Páladas de Alexandria(séc VI-V d.C)




Frágil e despojado vem o primeiro
grito como uma faca que fere o vento,
e o sopro magoado encarcera o corpo
no casulo da seda onde a outra mãe
acaricia o lábio com o silêncio
das mãos, que viram ser a vida precária.
Na vida fatigada, na precisão
do tiro da existência, de rojo andamos
à procura do doce ácido a mel,
numa fome execrável de brilho falso,
onde cobrimos de nudez nossos corpos
na mentira do espelho que em vão irradia
o sol nos rostos simples de admiração.
Será o último grito como o primeiro,
na certeza dos nossos corpos, no início
quentes e com afago de muitos lábios,
e por fim frios, póstumos, magoados?
Tal como este poema, e desgraçadamente
nu, viverá morrendo na eternidade.

josé félix

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