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quinta-feira, novembro 23, 2006

O meu veneno

O jogo do gato e do rato

Até parece que o mundo não foi sempre assim: o gato atrás do rato, e este a fintar o gato de vez em quando, até que a distração o leve para a morte. Há uma pequena fábula, de Franz Kafka que espelha muito bem esta atitude do pequeno felino doméstico que, pela importância que tem coloco-o aqui, deste modo:
- “Ah, disse o rato, “a cada dia que passa o mundo se torna mais estreito. No começo ele era tão amplo que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz por ver à distância, finalmente, as paredes da direita e da esquerda, mas essas longas paredes dirigem-se tão rápidas uma para a outra, que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para onde eu corro.”
_”Você só precisa mudar de direção”, disse o gato e devorou-o. (Franz Kafka – em: Pequena Fábula).
Os passeios dos militares, as manifestações dos professores e alunos, as burlas dos dirigentes desportivos; os dirigentes desportivos indiciados que gritam na praça pública aquilo que disseram nas inquirições judiciais e que, é suposto, está em segredo de justiça. Todos eles a serem fintados pelo Governo, de uma forma ou de outra, e o Governo a ser fintado por ele próprio.
Só falta completar a outra parte da fábula de Kafka: aparecer o cão que dê cabo do gato e deixe o rato em paz.

11.

todos os dias vou cavando a casa.
se há pequenos pormenores é
pela importância que se dá à ilusão
criada, na certeza de se facultar
certa fragilidade em recompor
alguns objectos da memória antiga.
e no ofício de lavradura imperfeita
é que recolho os frutos da acidez
de uma árvore feita literatura
adormecendo o sono na vigília
das sombras que povoam a habitação.

josé félix in teoria do esquecimento

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