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segunda-feira, dezembro 04, 2006

rivandu ria ngiji, nguzu ia jipandu 1



jiboiei meu sono
na esteira de luando.

na cacimbice da noite, kalunga
sorrateira, no xuaxo das palmeiras,
acaricia meu corpo, leito de correntezas
e sonhos que naufragam marginais.

kianda viaja-me nos capinzais:
percorro rios, acácias, quiçaça
cucos-feiticeiros. no sabor acre das gajajas
ouço a voz do leão
e no amanhecimento do sol
os pássaros voam
sobre os cabelos da chana.

do leste regresso à água.
da transparência da imagem
vêm lamentos de cazumbi
que marimbondam no peito.

da margem olho
a natação dos peixes.


josé félix in teoria do esquecimento


1 - "a rebeldia do rio é a força das margens" José Luandino Vieira, "DE RIOS VELHOS E GUERRILHEIROS, O Livro dos Rios, Editorial Caminho S.A., outras margens, Lisboa, 2006, p.p.16


Nota: a língua kimbundu, falada na província de Luanda e de Malange, terra dos Ambakas, presta-se, como todas as línguas bantos à plasticidade quando aculturada com outra língua, no caso presente com a língua portuguesa.
José Luandino Vieira, utiliza como magister essa capacidade plástica que levou o estudioso Salvato Trigo a escrever uma dissertação de doutoramento sobre a linguagem plástica de Luandino [Salvato Trigo, Luandino Vieira, o Logoteta, Brasília Editora, Porto, 1981].
É nesse sentido que utilizo essa natural plasticidade das duas línguas para a construção do poema. Essa plasticidade deve conjugar com a capacidade do autor em recolher da semântica de cada palavra (português e kimbundu) para (re)criar uma outra dando-lhe quer monossemia e/ou polissemia.

Há palavras que soam ao núcleo familiar da língua, outras são apenas parentes; ainda outras, (re)criadas com o devido respeito pelo étimo.

kalunga - deusa da morte
kianda - deusa das águas
quiçaça - mato rasteiro e fechado (esta palavra não existe em todos os dicionários da língua portuguesa; há sempre um, ao qual recorro, o chamada Dicionário de Moraes até à 9ª edição porque depois desta edição os fazedores do dito esqueceram-se de que existem muitas palavras da nossa língua
cazumbi - fantasma

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