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quinta-feira, janeiro 25, 2007

O meu veneno

Portugal não tem novecentos anos de história. Portugal tem novecentos anos de esquecimento. Se Portugal tivesse novecentos anos de história não teria o governante que só legisla para defender o poder do dinheiro.
O cidadão é medíocre e defende a mediocridade para sobreviver. Por isso não há produtividade porque o sistema suporta tudo aquilo que é medíocre: na educação, na saúde, na economia.
Portugal é um país triste. O país da comédia para enganar quão trágica é a vida de pedinte.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

sinopse

que exígua beleza
na flor decepada

na sombra contígua
a luz que se escapa

josé félix

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

luz ou sombra


não há mãos quando a morte sobrevém.
a palavra, o esqueleto da linguagem
ganha formas bizarras no caminho
da vida carpideira, com a imagem

do sol inatingível cocegando
o rosto que da sombra tira luz
bebendo a parca sede que lhe resta
do fio de água que já não conduz.

na escuridão da fala não há nomes
nem há figura de estilo que valha
que sobreviva a tanta quietude.

é que morte é simplesmente morte.
até de um corpo belo de desejo
não há mais do que ter esta atitude.

se é luz ou se é a sombra dela.

josé félix in teoria do esquecimento

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quarta-feira, janeiro 10, 2007

O meu veneno

A democratização do lixo

O lixo democratizou-se, definitivamente. As páginas pessoais deram lugar aos blogues onde cada um, nos muitos domínios da Internet, cria o seu espaço fedorento e tresvasa a verborreia das suas incapacidades intelectuais. É lê-los por aí em qualquer ligação e domínio que aceite graciosamente ou por um punhado de dólares e euros o lixo com que enchem o espaço da Rede.
Nunca tanto lixo teve tanto poder. É a democratização levada ao extremo do termo. Aquilo que Marx, Engels e Lenine não conseguiram após 60 anos de propaganda ideológica, a Rede permite ao lixo exercer um poder que nunca teve. O lixo junta-se ao lixo e amontoa-se corporativamente dando a entender que os outros, os excluídos da lixeira é que são o lixo da sociedade cibernética. O lixo já faz parte da ciberliteratura. Daqui para a frente só resta fazer recensões críticas, escrever manuais para uma boa condução do lixo na Rede.

uma casa com tecto falso(1)

tenho brincadeiras monossilábicas como aos cinco anos. tocava nos teus seios,
eu e tu nus na preguiça da tarde com o cheiro dos mamoeiros e o leite-seiva da
mandioqueira a cair no terreiro. o hábito do teu corpo ligou para sempre o hálito
na travessia das rugas, a casa envelhecida com falas antigas e assobios imberbes
a chamar o sol como a buganvília trepadeira que descansava sobre o tecto. os teus
mamilos, mãe, são ainda o meu sonho de águas novembrinas nos risos que ecoavam
nas paredes e roçavam nas fotografias amarelecidas pelo desprezo.
sei que vens ter comigo na angústia da palavra e comungas do meu fel quando, aziago,
o dia vai na tempestade. os teus dedos molham nos meus lábios o tempo pacífico
das palafitas.

josé félix in teoria do esquecimento

1 - título retirado de um poema de alice sequeira

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sábado, janeiro 06, 2007

"[...]o que resta de verde
é uma luta em que este vencerá um dia[...]"

carlos peres feio

não há cor que limite ou incite a dor
que viaja na nesga da memória;
talvez porque o desejo que se vê seja
uma falácia uma carícia que engana
o sentido arbitrário consentido
como um falsário de promessas. e tu
que arremessas a cor predestinada
noutra voz enganosa de receio
no anseio dessa cor maldita vertes
a cor de sangue nesse bangue-bangue
que desfralda em mil gritos a grinalda
do eterno aflito que vai para o averno.
verde que não me reste verde que me arda
como o dia que não conhece a alegria.

José Félix

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segunda-feira, janeiro 01, 2007

O meu veneno

De repente...


De repente, nada, meus caros leitores. Os desejos das 24 horas do dia 31 de Dezembro esfumaram-se como o aerosol para bébés.
Ainda temos o mesmo Primeiro-ministro, a mesma ministra da Educação, o mesmo ministro dos Negócios Estrangeiros, e o ministro das Finaçnas ainda é o mesmo. Ainda não houve aumento de impostos mas o pão já tem novo preço, o combustível para os veículos automóveis vai sofrer novo aumento apesar da queda do crude nos países exportadores de petróleo e o desemprego continua a subir a despeito do desejo do senhor Primeiro-ministro.
No Iraque Saddam Hussein morreu sem glória enforcado por crimes menores. Talvez por isso mesmo ele não sobreviveu à sanha dos capatazes do planeta como Pinochet, no Chile, que morreu sem julgamento, quase como um herói. Os milhares de presos que morreram às mãos do chefe do Partido Baas ficaram injustiçados; os milhares de curdos mortos com produtos químicos ficaram injustiçados. É assim. Sempre foi assim. Os pequenos crimes têm a justiça a pegar-lhes as pernas, os grandes crimes ficam impunes.
Fidel continua de pedra e cal à espera da morte. Bush continua a ir passar férias para o Texas. Angela Merkl, da Alemanha, continua a fazer a política do cinismo devido aos emigrantes turcos que invadem o país. A União Europeia aumenta em número de países com a Bulgária e a Roménia. O Papa é o Papa!
De repente, nada acontece!

carjas

1.
na alba
aninho-me nos teus braços,
ó amado!
é tão longo o dia!

2.
componho-me para ti
meu amado
tremo de anseio pensando
que exalarás o meu perfume

3.
beija o meu seio
amor
como se foras
o filho ausente

4.
ó amado, vem
acolhe-te aos meus braços
ainda com o aroma
de outra mulher

5.
porque tarda o meu amor
espero-o no leito
perfumada
a contar o tempo nas estrelas


6.
toma o lenço
amor
sente-o quando
te apartares de mim.

josé félix

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