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quarta-feira, janeiro 10, 2007

O meu veneno

A democratização do lixo

O lixo democratizou-se, definitivamente. As páginas pessoais deram lugar aos blogues onde cada um, nos muitos domínios da Internet, cria o seu espaço fedorento e tresvasa a verborreia das suas incapacidades intelectuais. É lê-los por aí em qualquer ligação e domínio que aceite graciosamente ou por um punhado de dólares e euros o lixo com que enchem o espaço da Rede.
Nunca tanto lixo teve tanto poder. É a democratização levada ao extremo do termo. Aquilo que Marx, Engels e Lenine não conseguiram após 60 anos de propaganda ideológica, a Rede permite ao lixo exercer um poder que nunca teve. O lixo junta-se ao lixo e amontoa-se corporativamente dando a entender que os outros, os excluídos da lixeira é que são o lixo da sociedade cibernética. O lixo já faz parte da ciberliteratura. Daqui para a frente só resta fazer recensões críticas, escrever manuais para uma boa condução do lixo na Rede.

uma casa com tecto falso(1)

tenho brincadeiras monossilábicas como aos cinco anos. tocava nos teus seios,
eu e tu nus na preguiça da tarde com o cheiro dos mamoeiros e o leite-seiva da
mandioqueira a cair no terreiro. o hábito do teu corpo ligou para sempre o hálito
na travessia das rugas, a casa envelhecida com falas antigas e assobios imberbes
a chamar o sol como a buganvília trepadeira que descansava sobre o tecto. os teus
mamilos, mãe, são ainda o meu sonho de águas novembrinas nos risos que ecoavam
nas paredes e roçavam nas fotografias amarelecidas pelo desprezo.
sei que vens ter comigo na angústia da palavra e comungas do meu fel quando, aziago,
o dia vai na tempestade. os teus dedos molham nos meus lábios o tempo pacífico
das palafitas.

josé félix in teoria do esquecimento

1 - título retirado de um poema de alice sequeira

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