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quarta-feira, fevereiro 28, 2007



A Antologia de Escritas vem a lume pelo 4º ano consecutivo. Mantém o mesmo aspecto gráfico desde o nº 2 sendo já uma referência no meio intelectual da Rede. Bem-haja o Marco António que tão bem criou o grafismo para esta antologia.
Este número tem a particularidade de ter um apêndice dedicado à Escrita Criativa cujo texto é assinado pelo Professor Doutor José Gil, professor adjunto de teatro e comunicação.

A variedade e a diferença é feita pelos 21 autores que a compõem, originários dos mais diversos pontos do globo. Os P.A.L.O.P e a língua portuguesa são, nesta antologia, os soberanos.

A apresentação deste volume terá lugar na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Lieria, no dia 24 de Março de 2007. Convido os leitores a estarem presentes neste evento.

era agosto e o sol sorriu

a livre voz da terra conquistara
a fonte
por onde germinar

e as alavras rudes
mesmo sem os seus fatos domingueiros
vieram belas

porque musicais plenas de sentidos

para os adros do mundo festejar
porque nascera o seu menino

xavier zarco


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o reflexo de nut

olhas com tal doçura para nut
que ela reflecte nos teus olhos claros
a brevidade nos momentos raros
da estrela luz que a tua face nutre.

mesmo tutankhamon se gloriou
pedindo que descessem dela as asas
e se cobrissem de sombras as casas
quando na morte o rosto iluminou.

o céu no céu, reflexo das estrelas
que não me canso, ó ditosa, a vê-las
no teu olhar jovem de semente grada.

pródigos são os deuses, bela fonte
que prendes com leveza o horizonte
nos lábios de estranheza magoada.

josé félix

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quarta-feira, fevereiro 21, 2007










a mão descansa no xilema
de uma árvore em combustão.
o olhar que dá é o tema
da ramagem em explosão.

os lábios têm o morfema
da seiva que diz a oração
no canto belo do fonema
que cativa, guarda a paixão.

encobre na serena idade
a perpétua visão de flora
reclinada sobre a folhagem.

é clóris na maternidade
da primavera que elabora
as flores da felicidade.

anfitrite pousou a mão.

josé félix

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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O meu veneno

Estou a acumular o veneno necessário e a procurar em redor da teia algum animal que possa enlear-se nos fios. O país anda morno, para não dizer, morto, a discutir coisas tão importantes como a interrupção da gravidez da mulher sem um dos principais culpados: o homem. O primeiro-ministro acha que é um assunto que pode trazer desenvolvimento para o país que até quis integrar o grupo que vai fazer a lei. Que se lixe o choque tecnológico, as dívidas das empresas à Segurança Social e ao fisco.

De repente, não mais que de repente, (ah! Vinícius de Moraes!) os cidadãos esqueceram-se dos despedimentos, dos aviões da CIA e nem repararam que o locutor da televisão disse que o atentado de 11 de Março em Madrid tinha sido "o maior atentado terrorista do mundo na Europa".

Se cá nevasse...

pouso nos lábios
os dedos de árvore

a fala cala
na mendicidade do gesto

só um sussurro
no murmúrio das folhas

abres-me o corpo
no sossego do olhar


josé félix


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sábado, fevereiro 10, 2007


um dia vi a minha mãe nua, molhada de março com os cabelos a escorrer o calor da tarde. ao mesmo tempo que crescia o desejo pedia ardentemente a morte por ter visto tanta beleza. depois corri desenfreadamente sobre os picos das piteiras como um fauno, atravessando o rio-seco que vai até à samba pequena no bairro de santa bárbara. comia mabangas cruas com o sangue delas a queimar-me os lábios e salgava-me na água brincando ao mesmo tempo com os caranguejos como a sombra a fugir de mim. regressava sempre a casa em jogos lúdicos com o cão pandita nheru rodopiando a folha de mamoeiro ao pé do tanque da remissão da culpa. a minha mãe acariciava-me as orelhas e segredava-me palavras que anda hoje me esforço por as ter nas minhas mãos. envergonhado aninhava-me na concha do seu corpo como se quisesse renascer na explosão de relâmpagos que iluminava a tarde adoecida.


josé félix



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sexta-feira, fevereiro 09, 2007






o teu sorriso é o espanto claro
tão escondido é na fina sombra;
é a indecisão da fala que me lembra
a eterna nefertite de aquenaton.

olhando bem o rosto photomathon
não adivinho, vejo e se vislumbra
a genuína alegria que deslumbra
o olhar da água no momento raro.

a áurea da rainha que se admite
teve o sol da tuberculose e triste
ilumina eternamente a figura.

a admiração no teu olhar existe.
ancora na memória e resiste
ao tempo com a natural candura.

ao mesmo tempo a eternidade é breve
tão simples, tão rara a visão escreve.


josé félix


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sábado, fevereiro 03, 2007

O meu veneno

O jogging do primeiro-ministro

O Sr. Mário Soares terá deixado alguma semente nos correlegionários de partido, e não só, algumas formas de comportamento quando os representantes da nação efectuam viagens para o estrangeiro. Recordo a célbre fotografia do Sr. Soares montado numa tartaruga nas ilhas Seichelles. Depois foi o primeiro-ministro Cavaco Silva a subir a um coqueiro em São Tomé. Agora é o Sr. Sócrates a fazer jogging na China.
Só num país de brincadeira é que essas coisas acontecem lá fora. Por aqui continuam os despedimentos, o fecho de urgências de hospital, a corrupção no desporto, e muitos a estão transformados em Poirot a tentar descobrir os aviões da CIA que sempre passaram por Portugal e pelo resto do planeta.

o espanto da luz

a luz espanta através da sombra
e deixa-me morrer lentamente
ancorada às manhãs frias...
lena maltez

os pássaros deslizam sobre as mãos.
cena perfeita de literatura
para falar da morte
onde a única vigília é a constância
de morrer.

deslizam sobre as mãos
como voo de pena de ave
os duendes de cronos
no artefacto da finitude.

a morte é a luz que espreita suave
sem percebemos a grandeza
da claridade que nos oferece.

josé félix

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