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quarta-feira, abril 25, 2007

O meu veneno

O 25 de Abril

A solenidade da comemoração da data de 25 de Abril de 1974 na Assembleia da República teve dois momentos dignos de nota. Quer queiramos quer não queiramos, sejam os leitores simpatizantes ou não de um ou de outro partido, houve dois discursos que vão marcar a agenda de intervenções na Comunicação Social: o discurso do deputado Paulo Rangel e o discurso do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. O primeiro, o de Paulo Rangel, é um discurso muito bem feito, muito bem estruturado, e que focou alguns pontos essenciais e que têm feito gastar muita tinta e palavras, muitas delas vãs, acerca da qualidade da democracia, da tentaiva de controlo da comunicação. O segundo, o discurso do Presidente da República questionou, como eu também tenho questionado de alguns anos a esta parte, sobre como se deve comemorar a data de 25 de Abril de 1974. Foi um discurso virado para os jovens que primou pela positiva.
O prior discurso foi o da deputada Maria de Belém. Um discurso muito mal feito, sem fio condutor entre as frases e os parágrafos. Foi um rol de citações, desde Paul Ricouer, Kant, António Damásio e outros nomes sonantes.
Assim se comemora a data de 25 de Abril de 1974 sem fogo. Só fumaça.

abril vinte e cinco ─
há muitos cravos vermelhos
murchos na lapela.

josé félix

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quinta-feira, abril 19, 2007

O meu veneno

A desconstrução ─ reconstrução de um mito: a tradição já não é o que era

Era uma vez no reino dos animais onde todas as espécies viviam em harmonia. Havia uma montanha muito grande que quase chegava às nuvens. Todos os dias vomitava fumo que causava uma bruma estranha em redor até à beira da água do mar onde viviam as muitas espécies de peixes que brin cavam nas ondas bravas.
Um dia um áugure começou a apregoar uma notícia estranha:
─ " A montanha sopra fumo eternamente. Um dia vomitará fogo com tanta força que sairá de dentro dela um monstro que crescerá, crescerá, crescerá, saindo dela, e ficará maior do que a montanha."
Os animais foram crescendo e morrendo, deixando gerações de outros animais agarrados àquela tradição e viviam em constante sobressalto à espera que o grande monstro saísse da montanha.
Um dia aconteceu. A montanha começou a cuspir fogo que chegava a centenas de metros acima do cume. Os animais, apavorados, encolheram-se, agacharam-se e enconstaram-se todos uns aos outros para dar a ideia de terem uma força maior do que aquela que tinham.
De repente, a montanha deixou de cuspir fogo e fez-se um grande silêncio. O silêncio durou poucos segundos.
Um urro grande ventou sobre os animais e, para espanto de todos, saiu daquele enorme buraco uma ratinho minúsculo que tinha uma boca que chegava ao rabo e fugiu espavorido perante a admiração geral.
Os animais, todos sem excepção, riram às gargalhadas e fizeram uma festa de arromba com as economias que tinham feito durante centenas de anos e por várias gerações.
A tradição rompeu-se e os animais recomeçaram a viver felizes.

josé félix

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quinta-feira, abril 12, 2007

O meu veneno

A boa-fé, o fumo e o fogo

Não perco mais tempo com o problema da licenciatura do Sr. Primeiro-ministro. Todos sabem que é licenciado em engenharia civil e ponto final. Contudo, após ter visto a entrevista concedida ao canal 1 da RTP fica-me a pulga atrás da orelha. O Sr. Primeiro-ministro utilizou a boa-fé para informar a UnI que tinha determinadas disciplinas feitas notra instituição sem apresentar o certificado de habilitações. Disse que era, e ainda é, prática comum das universidades aquele procedimento. Ora, aqui é que bate o malho! Eu desconheço essa prática e ponho em dúvida que esse procedimento seja comum, a não ser numa questão de favorecimento. O Sr. Primeiro-ministro fez um convite formal aos alunos que desejam mudar de estabelecimento de Ensino Superior à prática daquela ilegalidade.
De resto, a entrevista não trouxe algo de novo.


bendito é o fruto. sobrevém
na transparência da semente viva
a língua da radícula que emerge
da escrita na contemplação cativa
da árvore em crescimento.

a fala, a seiva que sulca, rodeia
a saliva limpa e dos lábios
em construção se frutifica a voz.

simples as folhas vão e vêm com o olhar.


josé félix

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sexta-feira, abril 06, 2007

O meu veneno

O circo

Portugal já foi um país de circo. De circo verdadeiro: palhaços verdadeiros, equilibristas verdadeiros, acrobatas verdadeiros, ginastas verdadeiros.
Com o desenvolvimento massificado, com as novas tecnologias, uma televisão com mais de 100 canais, com a informação na internet, com os telemóveis, os aparelhos de mp3 Portugal fartou-se do verdadeiro circo e criou um outro com base no futebol, na política, na religião. É vê-los, por aí, sem disfarce e pudor, a cabriolar ostensivamente as vascas nos noticiários das rádios, dos jornais, da televisão. Os palhaços deixaram de ter a graça que tinham ─ o palhaço rico e o palhaço pobre ─, e aparecem uns vestidos de donos de clubes de futebol, de donos do país, outros de polícias, de padres. Ora é a comédia do dirigente de clube ora é a tragicomédia da licenciatura de um primeiro-ministro. O povo na sua ignorante generosidade bate palmas, mesmo sem a acrobacia e o brilho de outros tempos.


escolhe um horizonte e depressa ver-
terás a loucura escamosa dos peixes.

RafaelCayetanno

na capela das ondas sétimas
as glaucas águas submergem

com o olhar das virtudes temporais.
na explicação dos pássaros

o horizonte é o voo
no olho do peixe à procura do seu fim.

a brisa suave e leve e grave
molda a falésia íntima da distância.

josé félix

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