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segunda-feira, maio 21, 2007

o meu veneno





a crítica literária como masturbação mental

a crítica literária faz-se sobre determinado tema e tem a finalidade de informar o leitor sob uma perspectiva descritiva e, também, de avaliação. não se pode ─ não se deve ─, apresentar uma crítica literária puramente subjectiva, mas apresentar aspectos objectivos que dêem consistência e sustentem a avaliação.
temos visto nos jornais alguns críticos que dão notas com bonequinhos, estrelinhas, pontos a uma obra criticada. ora, nós sabemos que muitas dessas críticas são feitas por críticos cooptados para obter avaliações positivas o que mexe com a ética por parte dos profissionais.

a maioria dos críticos não sustenta as afirmações, quer as avaliações sejam positivas quer sejam negativas. a maioria tem um desconhecimento total dos temas que vão ter a intervenção crítica e masturbam-se mentalmente, utilizando uma série de palavras ininteligíveis e fora de contexto constrangendo principalmente jovens autores, e autores menos avisados.
lembro-me, quando publiquei o meu livro "Geografia da Árvore(a reinvenção da memória)", da apresentação feita por joão david pinto correia, da faculdade de letras de lisboa, e do conselho que me deu no fim da palestra: - "a partir de agora, meu amigo, a única coisa que você tem que fazer é não ligar àquilo que os críticos dizem". claro que eu tomei esta afirmação como um aviso e não como um conselho para levar de uma forma fundamentalista. tenho em atenção o que os críticos dizem acerca dos meus textos, retirando os gomos da laranja que pode apresentar fracturas de podridão, sabendo quão expositivos são muitos dos críticos que proliferam por aí alardeando falsa sabedoria mas com um umbigo doente de tanto ser coçado.

nas listas de discussão, os novos cafés marrare, martinho, brasileira do mundo virtual, também aparecem, de vez em quando, algumas hidras que estendem as suas cabeças cuspindo pus a torto e a direito, não sabendo sequer que há regras para a crítica literária de um texto, seja ele prosa, seja ele poesia.
eu, sinceramente, já não tenho pachorra para lidar com falsos cavaleiros galantes que não fazem mais do que tentar estropiar o texto do autor com palavras vãs e sem qualquer tipo de pedagogia.

a crítica literária tem que ser argumentativa e sustentada convenientemente, segundo os temas tratados.


















van gogh talvez soubesse quanta luz
ensombra a agonia do silêncio
quando, inadvertidamente, viu
um campo extensivo de girassóis.
à tarde, no crepúsculo do absinto
uma após outra colhe o viço solar
colocando no vaso apodrecido
a luminosidade de cada flor
dando-lhes tempo para se curvarem
perante a dor que da melancolia
absorve as pinceladas de loucura;
é solidão que ali se multiplica
em cada pétala, em cada corola.
um gesto agónico conduz a sombra
aquém da mão que desenha mil sóis.

josé félix

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sexta-feira, maio 18, 2007

"Onde foi que dormiu sacra madrugada[...]"
mel de carvalho

dedicácia

retém na sacralização da luz
a sombra do retábulo defronte
das naves principais inacabadas.
porque nem deus o sabe da artimanha
do que foi arquitecto de tal obra,
sacrílego, sacralizou o lugar
através da invenção do olhar divino.
e assim, e sempre, permanece oculta
a face de um e do outro lado, lúcidas
na surdez e na muda voz de deus.


josé félix

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sábado, maio 12, 2007

"[...]a pele flutua sob o pano da água[...]"
ana maria costa

do vazio
a questão de pormenor
tem a importância
do fruto único da árvore

pende beleza tamanha
no espanto
do olhar limpo
de admiração oculta

húmida, útil sob a água
lúcida
o rosto é a escrita na lombada

do tempo; quase teia transparente
tecida com esmero pela aranha
na paciência da folhagem cálida.

josé félix in fácil é o movimento das folhas

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terça-feira, maio 08, 2007

O meu veneno

A notícia que se alimenta da própria notícia

Temos assistido, ultimamente, a uma grande desresponsabilizabilidade da Comunicação Social no aproveitamento do controlo de audições e leitura, com as notícias veiculadas pelos meios de informação. À falta de notícia, repete-se a notícia. À falta de novidade acerca da mesma notícia, alimenta-se a notícia com adjacências inócuas. Por exemplo, sobre a notícia da pequena Madeleine, desdobram-se uma série de personalidades a aventar sobre a questão engolindo o tempo preciso em televisão, nas rádios e nos jornais.
É assim que a notícia se vai transformando em monstro. Um monstro só porque é grande mas é, certamente, inofensivo devido à importância que vai perdendo junto da opinião pública originada pela repetição.
Do espanto passa-se ao desinteresse e tudo fica na mesma, senão mesmo com uma dose maior de laxismo.

josé félix

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quarta-feira, maio 02, 2007

casa de silêncio

que gárgulas escondem a minha sede
e que sede vem, ainda, descobrir
velhas fotografias de construída dor
partida, espartilhada por abismos?

velharias, papéis velhos, sobressaem
na mesa corrompida pelo olhar.
toda a melancolia da leitura
se verga sob o peso da memória lúcida

na construção da luz que vai, indo
com as sombras da tarde no sepulcro.
o que me trai é o esquecimento dos nomes
no exílio de uma casa de silêncio

josé félix in teoria do esquecimento

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