<$BlogRSDUrl$>

quarta-feira, julho 25, 2007

O meu veneno

O país anda tão mal, tão mal, que não há assunto que se destaque da mediocridade. Apesar disso faço referência à notícia do jornal O Público onde se denuncia o pagamento de €30,00 às crianças que fizeram um anúncio para a propaganda do Governo socialista. Arregimentaram uma dezena de crianças para "simular uma aula e demonstrar as potencialidades dos quadros interactivos com que o Governo vai equipar as escolas. Anda toda a gente a falar contra a utilização abusiva de crianças na publicidade, nas novelas e nos filmes e o Governo de Portugal que pretende andar sempre com a carroça à frente dos bois comete uma leviandade destas.

na íntima clareira
um verso nu

floresce a agonia
da cor pedida
na intermitência da palavra
semente

josé félix

|

quarta-feira, julho 11, 2007

O meu veneno

A Ditadura Democrática

A ditadura democrática é uma denominação que vem das repúblicas da extinta União Soviética. O que se passa, presentemente, em Portugal é a chamada «ditadura democrática» em todos os domínios. Quando um Secretário de Estado diz na Comunicação Social que só se pode criticar o governo socialista em casa, o que é? Não basta utilizarmos o eufemismo do «quero, posso e mando». É urgente chamar as coisas pelo nome próprio. Vivemos numa Ditadura que cerceia uma das liberdades fundamentais da democracia: a liberdade de expressão. Principalmente quando essa expressão é verdadeira.

Estudo nº1

Diz-se que a morte é o repouso longo.
De cada vez que te vejo através da pedra
trago a tua existência para os caminhos
da cidade incendiada por facínoras
que matam a vida a pisar os próprios passos.
Vens e vives comigo, lado a lado
a recordar velhas fotografias coladas na parede
onde a cal se cola às tuas mãos
e as tuas mãos se colam no meu rosto
e o meu rosto igual ao teu vê-te
espelho a perscrutar os meus olhos.
No repouso da terra repousa o pó
que se multiplica na voz possível
quando a flor se abre na urgência do pólen.


Estudo nº 2

Diz-se que a morte é o repouso das estações.
A mesma árvore repousada na terra
multiplica os ramos e floresce
quando o sol poliniza uma tarde de Turner
e o teu rosto acaricia os cílios
os pálios da religião da memória
a lavrar o tempo no corpo representado.
Onde a cal se cola às mãos
os dedos em fogueira consomem
a madeira apodrecida que descobre o corpo
abraçado ao pó na fantasia de nada.
A fala é o eco do silêncio adormecido
nas arestas das pedras, no murmúrio das folhas
e quando, sem querer, o rosto se ilumina no mostrador do relógio.

Estudo nº 3

Diz-se que a morte é o repouso dos gestos
que prolongam a fala nos dias lúdicos
e Deus não tem explicação para o sabor
de um fruto colhido na imaginação do sorriso.
Os lábios aquecem a palavra fria
na fixação da natureza morta que sobrevive
na porcelana pousada na madeira velha.
Onde a cal se cola às mãos, desenho
o teu rosto que vive nas paredes brancas
da sala em combustão, e a memória
é presa fácil de sombras, companhias
de pólen e de pétalas de flores
que se abrem quando o vento fere os dedos
e as mãos sentem o pedúnculo frágil prender os lábios.

José Félix in íntima loucura

|

domingo, julho 01, 2007

O meu veneno

A governamentalização é uma galinha cujas asas acolhem todos os pintainhos. Os pintainhos são os institutos, as universidades, as fundações, as corporações, as associações de todo o tipo, mesmo as associações desportivas, e até as instituições de solidariedade social através dos partidos políticos.
A governamentalização é o eufemismo para a ditadura. Note-se o que se passa na DREN sobre o caso da Directora Regional de Educação do Norte e num Centro de Saúde onde a Directora foi exonerada por ter deixado colocar um cartaz qu8e dizia algumas coisas sobre o Primeiro-Ministro José Sócrates. Foi acusada de falta de solidariedade, ou seja, todos os directores-gerais deste país ou comem da mesma tigela onde os senhores do Governo comem ou saltam para fora da mesa. Isto parece mais um país do 3º mundo do que um país integrado na União Europeia onde a liberdade de expressão é fundamental.

a poeira do segredo

a poeira do segredo não reclama
a voz dos ossos em descanso. lúdica
a palavra vagueia
na fantasia das paredes descobertas
colocando os fantasmas que habitaram
na mobília, nos livros bafientos
folheados até à exaustão
pelas mãos de calcário
quando as noites de claridade morta
doíam sem explicação.
secretamente falam-me de tudo
até de passos soltos de rainha
da infância: lume a arder na asa da casa.

josé félix

|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer