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sexta-feira, novembro 30, 2007

O meu veneno

Uma questão de geografia política

A geografia que eu estudei há mais de 4 decénios situa Portugal no estremo Oeste da Europa. Eu acreditei no que o livro ensinou e naquilo que a minha professora primária (era assim que se denominava uma professora que dava aulas aos primeiros 4 anos de ensino) me disse até à exaustão nas aulas da 4ª classe. O país estava perfeitamente integrado na Europa, mesmo com um atraso de desenvolvimento de 50 anos, e com uma ditadura que já durava 20 anos.
Ora, o que eu vejo nas televisões do país, desde a televisão pública às televisões privadas, é que todos os intervenientes, jornalistas, políticos e governantes tratam o extremo ocidente europeu como um território desligado da Europa velha, gasta e sem rumo. Os meteorologistas dizem «Portugal e a Europa», os políticos dizem «Portugal e a Europa», o Governos diz «Portugal e a Europa» e o próprio Presidente da República diz que devemos aproximar-nos da Europa em termos de desenvolvimento económico. Para além disso os governantes actuam como os governantes do terceiro mundo, controlando os sindicatos, os funcionários públicos, obrigando doentes acamados a ir trabalhar e, como se isto não bastasse praticam com laivos de desinteligência a subserviência do crude, da política com as ex colónias, a subserviência da língua.
Ora, eu devo estar enganado quanto à situação geográfica de Portugal conforme me ensinaram em criança.
Portugal está geograficamente e politicamente situado na América do Sul e deve fazer fronteira com a Venezuela, com a Colômbia ou então um pouco mais abaixo, entre o Peru e a Bolívia.

se vieres por aqui, por onde o poema
escreve o caminho da palavra comunicável
vem com uma dália vermelha nos lábios
e faz do silêncio o gesto das mãos
um oráculo da fala perceptível
na abóbada do espaço imaginário
e se quiseres fica o tempo da manhã
clara quando os de dos
tocam a humidade das plantas.
verás, é uma escrita simples, esta.

josé félix in à sombra da amendoeira

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terça-feira, novembro 27, 2007

O meu veneno


Considerações inócuas


Quando o patronato se quer juntar ao operariado e aos sindicatos para fazerem uma greve geral algo vai mal nesta democracia de brincadeira como lhe chamou o professor Medina Carreira.
Quando a polícia «visita» os escritórios de um sindicato de professores no dia de uma greve e de visita do primeiro-ministro a uma cidade algo vai mal nesta democracia de brincadeira.
Democracia de brincadeira? Não! O professor Medina Carreira utilizou o eufemismo para dizer uma coisa muito mais grave. Não é uma democracia de brincadeira nem uma democracia musculada. Quando os trabalhadores e os sindicalistas em greve são tratados como insurrectos, vivemos numa ditadura e não numa democracia.

"Escrever um haiku é como tirar uma crosta.
Ao fazê-lo provamos que estamos vivas"
Mitsuhashi Takajo(1899-1972)

(Ao meu amigo Aníbal Beça
haijin do Amazonas)

Outonália

I

O melro debica
no manto de folhas velhas
à hora do lanche

Como cresce a lua
no meio dos castanheiros
com cachos de ouriços

Começa novembro -
já estalam as castanhas
no sabor do vinho

O varredor limpa
as folhas secas de abeto
molhadas de orvalho

Cheiro a naftalina -
vestem casacos de lã
no início da noite
II

A última pétala
do malmequer solitário
sossega nos dedos

Ao luzir do sol
abrem-se as santas-noites -
voa a borboleta

Começou a chover -
deixou de cantar a rola
no pinheiro bravo

Parou de chover -
entre o trevo prateado
vai um caracol

Neste choupo jovem
algumas folhas resistem
ao vento de outono
III

Um homem sacode
o sobretudo molhado -
a chuva de estrelas

sol do meio-dia -
do salgueiro vem o último
canto da cigarra

Mulher no jardim
com a tristeza no rosto -
nuvem tapa o sol

Na hora da novena
mulheres entram na igreja
vestidas de negro

Secou a nogueira
O vendedor de bengalas
mudou de lugar

José Félix

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quinta-feira, novembro 15, 2007

Resiste o sol
na folha de papel

a frase espera
a sombra para ferir o texto
que guarda silêncio
em perfeita contrição.

josé félix in à sombra da amendoeira

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segunda-feira, novembro 05, 2007

O meu veneneo

As últimas sondagens indicam o fim do estado de graça que este governo, o português, tem tido com o anúncio de medidas virtuais sem qualquer efeito prático na economia, na educação e na saúde. O governo português já não governa à bolina mas, sim, navega à vista, com a pressão da mídia a denunciar casos extremos quer na educação quer na saúde.
É deprimente ver os ministros daquelas pastas nas entrevistas da televisão com respostas sem conteúdo à face de professores que são obrigados a trabalhar com doenças crónicas que causam invalidez por longos períodos de tempo, com cancros na garganta e outras doenças incapacitantes. [A minha filha é professora de inglês e alemão e está colocada na escola secundária de Vila Nova de Cacela, no Algarve, com 8 horas e tem que pagar para trabalhar uma vez que é da zona de Lisboa.]
Há doentes incapacitados que são obrigados a apresentar-se ao serviço mesmo estando com a mobilidade zero.
Este governo que se diz da solidariedade social é o que tem penalizado mais o cidadão desde o 25 de Abril de 1974.
O primeiro-ministro é de uma insensibilidade que nunca se viu, nem mesmo no tempo da ditadura do Estado-Novo.

na claridade nocturna
duende, o silêncio é o texto
da frase em construção

as sombras presas pelo umbigo
em autofagia
movimentam-se na noite cega
saciando da luz que as alimenta.

josé félix

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