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sexta-feira, maio 23, 2008

O meu veneno


tomar um poema como oferta

o autor constrói o texto, o poema. é o criador genético da massa criativa de que faz a escritura. o texto é meu, ou seja, do autor. guardo-o. o texto, o poema, permanece anónimo e sem dono porque ninguém o conhece. é um texto, um poema incógnito.
o leitor, com a sua leitura e análise crítica, dá ao texto, ao poema, um pai, um dono. a partir do momento em que o poema se me apresenta para a leitura múltipla, eu tomo posse dele. com a minha arte de conhecer as vias ocultas do poema, ou as vias ocultas de poema para poema. relemo-nos nos poemas que lemos, por isso os possuímos com um sentimento «quase» carnal. o leitor / analista crítico toma posse do poema e deixa de pertencer em exclusividade ao criador. de leitor para leitor o poema é sujeito à multiplicação das metáforas:"sentir, sinta quem lê"[fernando pessoa], e o sentir dispersa-se em cada leitura. o leitor dá vida / vidas ao poema que se transforma como um texto de uma peça de teatro conforme cada encenação.
levo e tomo os poemas como oferta. são meus. a partir deste momento dou-lhes a natureza que quero porque me pertencem mesmo que me disperse ideologicamente do autor dele, fazendo o clinamem ou seja um encobrimento, uma má leitura.
os poemas em questão, os tais que eu tomei como oferta, num sentimento de posse exclusivo são poemas de um autor que já ultrapassou a angústia da influência, essa doença astral dos poetas que se limitam a ser precursores, ou só tem resquícios dela e, não sendo, portanto, um efebo da poesia, é um autor diabolizado. O autor atinge a demonização ao referenciar-se de poema para poema. o percurso é ser ele o precursor dele próprio num movimento autopurgativo. daí o meu gosto de ler estes poemas e tomá-los como meus, fazendo deles a minha própria angústia, angustiando-me com a angústia da escrita do pai dos poemas.

josé félix


ESGOTO A NOSTALGIA

tenho a nostalgia dos lugares vazios

escrevo um verso ao abandono
para o preencher lendo

acabo por ficar
estranho
e vazio

é

aí que cheguei
ao exagero quase cómico

já posso dançar
pedindo mão de dama
para poder lhe colocar a mão

"onde as costas mudam de nome"

e

esgoto a nostalgia com gosto

*.*
sem medo

I
sei dos dias
o tempo que conheço
neste versos

onde medro
para crescer livre

um verso sem medo!

II
sei dos dias
os cinco dedos
de uma mão cheia

em meia dúzia
de versos

em cada verso versado!

III
sei dos dias
a canção da luz
com as suas cores

nos cambiantes naturais
onde se sentem

as horas do dia a passar!
Assim

#

DIA 143 DUM ANO BISSEXTO
Janeiro+Fevreiro+Março+Abril+Maio
31+29+31+30+21=143

#

O OVO DO POEMA

a água lisa alisa o dia
deixa passar deste
horas em poesia

os versos vêm
poisar ave

põe

O

ovo

dum poema
nascem versos

horas em poesia
deixam passar este
dia que água lisa alisa
Assim



*.*
ACABADO DE PÔR

há quem saiba tudo, eu sei pouco
e nada, quase sempre tenho
de me deitar a adivinhar

ter esta experiência da vida
é experimentá-la

em cada verso poema completo!
Assim__._,_.___

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