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quarta-feira, junho 25, 2008

O meu veneno

Terrorismo político

O ministro da agricultura "diz" que só os cidadãos que votam no bloco central de interesses é que têm direito aos benefícios dos impostos de quem os paga. O ministro da agricultura tem um verbo fácil mas não passa de verborreia política, terrorismo político, quando acusa quem não concorda com ele nos pressupostos da discussão. O ministro da agricultura, tal como todos os outros ministros, não pensam, porque se pensassem retiravam o benefício do gasóleo aos donos dos iates, donos esses que têm o mesmo benefício dos pescadores que arrisacm a vida na faina da pesca.
Assim sendo, só há uma conclusão a tirar: os governantes de hoje, tal como os governantes do tempo de Camilo Castelo Branco só querem é governar-se. Como não pensam, esquecem-se de que Camilo escreveu um livro muito interessante acerca da subida e da queda no poder: "A queda de um anjo". Se os governantes lessem este livro e o tomassem como «livro de cabeceira", e não lessem só o Maquiavel, teriam mais contenção na linguagem, e mais contensão para resolver os problemas.

prenúncio do dia


limpo a gaveta.
saem dela cartas, fotografias
melancolia morta
no gesto de mãos bafias[1]

a gaveta limpa, vazia
é o lapso da memória que se quer
nos papéis velhos e restos de rostos
amarelecidos pela desistência
de perceber cada frase
no prenúncio do dia.

josé félix


[1] em vez do adjectivo bafiento introduzo a adjectivação do nome bafio. a língua portuguesa é viva e tem a mobilidade necessária para, com alguma acutilância e um certo saber, podermos introduzir novos vocábulos no léxico português atendendo à etimologia da palavra.

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quinta-feira, junho 19, 2008

o espelho de deus


tenho o espelho de deus
nos meus olhos

reflectem a sabedoria dos simples
quando os lábios
pronunciam o nome
da flor que sangra
na mão do inocente


josé félix

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domingo, junho 15, 2008

O meu veneno

Os desígnios nacionais

Portugal é um país que sobrevive à base de desígnios nacionais. Não! Não me venham com a história de que "lá está aquele a falar mal do país". Ora, se é verdade que Portugal é um país de desígnios nacionais, porque não dizê-lo à boca cheia? O desígnio nacional começou logo na batalha de São Mamede, no dia 24 de Julho de 1128, quando D. Afonso Henriques afrontou D. Teresa, sua mãe, e o galego Fernão Peres de Trava, pela posse do Condado Portucalense. Houve outro desígnio nacional, em 1637, com as Alterações de Évora , culminando na Restauração em 1 de Dezembro de 1640 e a defenestração de Miguel de Vasconcelos. A partir daí, os desígnios nacionais passaram a ser outros.
Presentemente, o grande desígnio nacional é ver a selecção portuguesa de futebol atingir a final no Euro 2008. Já foi um desígnio nacional no Euro 2004, no mundial de 2006, e será um desígnio nacional nos próximos campeonatos europeus e mundiais de futebol. Não é um desígnio nacional ensinar o hino nacional às crianças que estudam no Ensino Básico. Não é um desígnio nacional respeitar a Bandeira Nacional. Não é um desígnio nacional respeitar os professores e os idosos. Não é um desígnio nacional compilar livros escolares sem erros e outra falhas graves no campo pedagógico.
Lembremo-nos, como disse Jorge Luís Borges e parafraseando-o:"são só 11 jogadores de Portugal que jogam com 11 jogadores de outro país qualquer; «jogam com», não «jogam contra».
Tão simples quanto isso!


in memoriam
de cecília meireles


tenho um navio de sonhos
que carrego no meu mar,
escapa-se-me entre os dedos
na intenção de naufragar.

no meio da tempestade
o meu corpo de degredos,
na espuma da água, na ilha,
vão todos os meus segredos.

após forte ventania
e do barco baloiçar
adormeço só na areia
molhando-a de magoar.

assim perco o meu cruzeiro,
aumentando o meu tormento;
aguardo que os ossos levem
tudo para o esquecimento.

sonho, navio, desejo
tudo fica a marear
no silêncio, calmaria,
morrendo ao leme estelar.

josé félix

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quinta-feira, junho 05, 2008

O meu veneno

A surdez do Governo

É estranha a surdez do governo de Portugal? Não! A surdez é uma característica de governos arrogantes, da utilização do «quero, posso e mando». Estranha é esta democracia que atenta contra a natureza da própria palavra. É o que se chama uma ditadura democrática popular por ter subido ao poder através do voto. É perigosa pela assintonia da governação com o povo. Mais perigosa, ainda, porque o povo está adormecido com a profusão de promessas repetidas até à exaustão na Comunicação Social. A governação do país é estranha aos vetos do Presidente da República, às manifestações dos professores, à greve dos pescadores, dos enfermeiros, dos 200.000 trabalhadores que se manifestaram, hoje, em Lisboa. O país vive na bruma da corrupção, da pedofilia, da justiça só para os pobres. Continua o país do Peter Pan e do capitão Gancho.


manual de pintura

a mão desenha a escrita
selvagem da pintura.
na policromia do desejo e da soberba
do traço, do risco prescindível, um rosto polígono
retrata a morte e a vida, a alegria e a tristeza
na fantasia da intriga lúdica, cromática.
a linha engravida a virgem submetida
à ditadura do olhar.
um caos de azul mistura a emoção da água
com o vazio de uma sala
onde uma lágrima, impávida,
olha o seu autor.
perdem-se os pincéis em curvaturas
e no desenho dos frutos
os cheiros escapam-se pelos dedos de tinta.
a escrita pinta a mágoa
a trégua da cor viva
perdida no chão que bebe restos de sangue
de uma dor hemofílica.

josé félix

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terça-feira, junho 03, 2008

O meu veneno


A viagem do primeiro-ministro de Portugal à Venezuela

HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezSocratesSocrateHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez HugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavezHugoChavez

josé félix


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segunda-feira, junho 02, 2008

a fuga da língua .9


na semente dos lábios
há uma pátria em flor

a corola perfeita
justifica a pronúncia
da fala em construção

pétala a pétala renova a fala
no corpo do jardim

josé félix in a fuga da língua

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domingo, junho 01, 2008

O meu veneno


Poesia Brasileira – Alexei Bueno

Em 1992 Alexei Bueno publica um livro, “A Chama Inextinguível”, uma colectânea de quatro livros, a saber, As Escadas da Torre, Poemas Gregos, Livro de Haicais, A Decomposição de Johan Sebastian Bach. Poeta de enormes recursos, Alexei Bueno não enjeita a tradição, aliás recorre-se dela para fabricar a sua escritura.
Alexei Bueno tem, seguramente, um lugar na poesia moderna brasileira contemporânea, e sente-se bem tanto no soneto como no terceto, na quadra, no haicai, no verso livre.
Ritmo, musicalidade, um cuidado extremo na utilização de figuras de estilo, tem uma linguagem que foge ao barroquismo utilizado por muitos autores, uma linguagem desprendida, limpa, escorreita. Definitivamente, um autor que não se deixou prender nas teias do concretismo, onde muitos autores jovens no apelo à visualização e ao facilitismo se deixam apanhar.

LENDA

Simeão, o Estilista,
Sobre a sua coluna
geladamente fita...
E o mar bebe uma escuna...

Nas ondas, se afogando,
Um naufrágio o vê rir,
E grita-lhe, a sumir:
Morrei, cão miserando!

Então o mar o engole...
Lá fica o asceta a olhar...
...Na noite, um vento a uivar
Toma-lhe a alma de um gole...

Depois... só as bocas suaves
Bebendo a Deus enormes
E a vós, oh! Algas informes!
Oh! Dejetos das aves!

A SANTA FACE

I

Eu vejo o Monstro que percorre o mundo
Vestido de ossos, e que a vida passa
Tecendo longa noite da desgraça
Que a boca lhe abre num sorrir jucundo.

Eu claro o vejo, e o seu vestido imundo
Onde um arnês de lágrimas se enlaça
Arrasta a cauda sobre a populaça
Que o tem por pai e por seu bem mais fundo.

E ele assim dança, e onde o seu pé se encrava
Mais uma cova engole a carne escrava,
E os que lá vão dormir, caindo o adoram!

Enquanto os belos deste mundo o odeiam,
Pois são os seus pés que o fogo ao mundo ateiam
E abrem a um outro os olhos dos que choram!

Casebres do morro
Na tempestade noturna.
Vaga-lumes úmidos.



Os poemas foram retirados do livro:

Alexei Bueno, A Chama Inextinguível, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1992


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O meu veneno

A inversão de valores

Há uma inversão de valores neste grande mundo da Rede global. Há pormenores que escapam aos incautos ou esses pormenores são literalmente esquecidos por questões de conveniência. Ainda por cima, quando esses valores são colocados no caixote de lixo, aparecem os sequazes do prevaricador, imbuídos de baba venenosa e de santa ingenuidade a defenderem quem prevarica de forma velada ou descaradamente. Esqueceram já o que aconteceu à bióloga bem conhecida da nossa praça que copiou artigos de outros cientistas como se fossem dela, para manter uma secção numa revista, também ela conhecida da nossa imprensa. Foi desmascarada em tudo quanto é televisão, pública e privada; foi desmascarada na imprensa escrita e na rádio. Toda a gente ficou a saber quem foi a prevaricadora e não houve «paninhos quentes,» nem ninguém que a tivesse defendido de tal cometimento.
Quando se copia um texto ou parte de um texto sem dar os devidos créditos ao autor, é crime. Crime. Está sob a alçada da lei. Para quem não sabe há lei específica para quem copia na Rede sem creditar os autores ou o sítio, vulgo "url", de onde foi feita a cópia.

poe(mar)


o corvo de poe
marinha na água

fernando, outra pessoa
admira o tejo com o olhar ocidental
de um cesário jovem e doente
na lisbon revisited. [1]

são iguais as janelas que se vêem
em presépio
de s. pedro de alcântara
ao cais das colunas.
a mistura de maresia e petróleo
fere a ausência de margaridas do campo.

lisboa é uma aldeia com um rio
a beijar as pedras
onde se sentam os amantes das madrugadas.

o corvo já vai longe, perto do bugio
arrastando as asas do poema.

josé félix
[1] título de um poema de álvaro de campos, heterónimo de fernando pessoa

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