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domingo, junho 01, 2008

O meu veneno


Poesia Brasileira – Alexei Bueno

Em 1992 Alexei Bueno publica um livro, “A Chama Inextinguível”, uma colectânea de quatro livros, a saber, As Escadas da Torre, Poemas Gregos, Livro de Haicais, A Decomposição de Johan Sebastian Bach. Poeta de enormes recursos, Alexei Bueno não enjeita a tradição, aliás recorre-se dela para fabricar a sua escritura.
Alexei Bueno tem, seguramente, um lugar na poesia moderna brasileira contemporânea, e sente-se bem tanto no soneto como no terceto, na quadra, no haicai, no verso livre.
Ritmo, musicalidade, um cuidado extremo na utilização de figuras de estilo, tem uma linguagem que foge ao barroquismo utilizado por muitos autores, uma linguagem desprendida, limpa, escorreita. Definitivamente, um autor que não se deixou prender nas teias do concretismo, onde muitos autores jovens no apelo à visualização e ao facilitismo se deixam apanhar.

LENDA

Simeão, o Estilista,
Sobre a sua coluna
geladamente fita...
E o mar bebe uma escuna...

Nas ondas, se afogando,
Um naufrágio o vê rir,
E grita-lhe, a sumir:
Morrei, cão miserando!

Então o mar o engole...
Lá fica o asceta a olhar...
...Na noite, um vento a uivar
Toma-lhe a alma de um gole...

Depois... só as bocas suaves
Bebendo a Deus enormes
E a vós, oh! Algas informes!
Oh! Dejetos das aves!

A SANTA FACE

I

Eu vejo o Monstro que percorre o mundo
Vestido de ossos, e que a vida passa
Tecendo longa noite da desgraça
Que a boca lhe abre num sorrir jucundo.

Eu claro o vejo, e o seu vestido imundo
Onde um arnês de lágrimas se enlaça
Arrasta a cauda sobre a populaça
Que o tem por pai e por seu bem mais fundo.

E ele assim dança, e onde o seu pé se encrava
Mais uma cova engole a carne escrava,
E os que lá vão dormir, caindo o adoram!

Enquanto os belos deste mundo o odeiam,
Pois são os seus pés que o fogo ao mundo ateiam
E abrem a um outro os olhos dos que choram!

Casebres do morro
Na tempestade noturna.
Vaga-lumes úmidos.



Os poemas foram retirados do livro:

Alexei Bueno, A Chama Inextinguível, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1992


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