<$BlogRSDUrl$>

quarta-feira, julho 16, 2008

O meu veneno

A crítica literária

A "crítica literária" é a produção de um discurso acerca de um texto literário individual ou da obra global de um autor. A "crítica literária" está condenada à interpretação e, por isso mesmo, não pode ser inocente nem neutra. Paul de Man (P. de Man, 1971) observou que o crítico literário, seja qual for o plano institucional em que se coloque, relaciona-se com a literatura, principalmente com a literatura sua contemporânea, através de uma espécie de cegueira. O crítico literário ou aquele que pensa que é crítico literário, interpreta um texto com uma cegueira interessada que só vê o que quer ver ou o que pode ver.[i] Falta-lhe o sentido criativo do autor para anular os erros interpretativos com análises baseadas em estereótipos. Falta-lhes, sobretudo, o conhecimento da linguística para poder aceitar a novidade de uma palavra.

Isto vem a propósito, ainda, de outra espécie de crítico literário movido pela «dor de cotovelo», incapaz de escrever um verso, acoitado no anonimato, que descarrega a falta de criação artística sobre quem quer que seja, com argumentos sem qualquer sustentabilidade, ou com uma sustentabilidade frágil. O mais comum da cegueira do crítico literário com inveja do autor criativo é afirmar que o que lê não se entende, que o autor não escreve para o povo, que a escrita é enviesada, cheia de metáforas e de outras figuras de estilo cujos nomes vão relembrar na consulta dos livros.

Bem, eu não sou avesso à análise crítica de um texto. Falar de um texto após uma leitura leve só para dar curso à verborreia pensando que assim passa a existir mais, é errado, como é errada a pose à qual se submete, pois só diminui quem se acomete a tais atropelos. Falar de um texto com argumentos sustentáveis, sim. Venham eles mesmo que eu não concorde em absoluto. É evidente que um autor existe não só depois de ser publicado mas também devido ao crítico, literário.

De qualquer modo recordo Michel Foucault: "quando não se entende um texto, a culpa é sempre do leitor"; ou Fernado Pessoa: "sentir, sinta quem lê".

Uma dedicácia para os críticos que pensam ser donos da iluminação do templo:

fogo fátuo

acendem estertores iluminados
na podridão dos ossos pulverinos
arqueando luzes cheias de veneno
em vozes mansas tidas de meninos.
a chama ondeia falsa e insinua;
crepita a verve dúbia do idílico.
sem alimento o fogo não aquece,
ouve-se longe o eco a voz do tísico.
enquanto a fátua chama lá fenece
o lume brando vivo mais aquece.

josé félix


| |

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

AddMe.com, Search Engine Optimization and Submission Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com






br>


referer referrer referers referrers http_referer