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terça-feira, julho 01, 2008

O meu veneno

De vez em quando caem na minha teia uns seres esquisitos, que não são carne nem peixe, seres hermafroditas , sobre os quais, quando lhes toco, não sei se lhes titile o clitóris ou lhes alise o falo. Eu prefiro o clitóris. Ora, mais um ser andrógeno caiu num dos fios da minha teia sem saber o que fazer. Vai daí, pergunta-me se eu tomo ácidos. Mais ainda, acidos, sem o respetivo acento agudo, o que pressupõe uma falta de conhecimento acerca da língua portuguesa.
Do Dicionário de Língua Portuguesa On Line retirei o seguinte:

ácido s. m. adj.
do Lat. acidu
s. m., Quím.,
substância capaz de formar iões de hidrogénio quando dissolvida em água;
composto hidrogenado em que o hidrogénio pode ser substituído por metais, para formar sais;
substância que reage com uma base, formando um sal ou, por vezes, água;
substância que tem um Ph inferior a sete;
substância que torna vermelho o azul de tornesol;
adj.,
acre;
azedo;
agro;
s. m.,
(no pl. ) corpos derivados por oxidação dos álcoois e dos aldeídos.

Após este esclarecimento informo que não sei o que é que o ser hermafrodita "santis" quis dizer ao fazer-me tal pergunta. Se me perguntar se eu tomo ácidos, ainda sou capaz de lhe responder por uma questão de educação. Se me pergunta se eu tomo acidos a questão fica por responder, pois não sei o que pretende.
Coloco aqui uma série de poemas com o título "Lições de Eros" acabados de sair do forno poético. Talvez o ser andrógeno, esse e /ou outros que me visitam tenham uma «revelação» e descubram qual dos sexos mais lhes convém.


Lições de Eros

/um/

liberta o corpo
o tronco verga à posse dos sentidos

o aroma do desejo
a analepse
dos gestos

memória fina, turva.

/dois/

no teu olhar
descubro o meu corpo

a tua sede é a minha sede

/três/

quando tomo o teu corpo
e o desejo
sacia a minha sede

a revoada de pássaros
alisa
a folhagem da árvore

/quatro/

a mão descobre tímida
aventura

húmida
seiva revela a candura

a dádiva do corpo
descoberto

/cinco/

a frase obscena
acende o corpo o tronco
liberto da folhagem

maduro, o fruto
tem o sabor da primeira
colheita

/seis/

o fruto esconde-se
entre a folhagem

a mão, precisa
toca-lhe na pele

onde o incêndio principia

/sete/

o teu corpo é a clareira
onde eros sossega
sob as estrelas

mortal e imortal adormece
ao som da flauta de pã

/oito/

lascivo como um fauno
acaricio
a concepção dos lábios

no abraço de eros
morro e vivo
segundo a natureza


/nove/

podes ver-me psiquê
com a iluminação dos olhos

quando a gota de cera me queimar
o peito
possuo-te
até à consumação do círio



/dez/

nasci de pínia
ando em completa nudez
para que bebas do meu corpo

embriagado com néctar
conforme me ensinou poros, meu pai

usa do artifício
e dá-me o aroma do aloendro

/onze/

cruzas as pernas
sobre o himeneu

botão de flor aberto no primeiro
raio de sol

/doze/

as minhas mãos
passeiam no teu corpo
a paciência do sol

vens messalina
e quando te aquietas
tens o olhar puro e virgem
da manhã submersa

/treze/

as coxas são
colunas de alabastro

ao toque leve
deixam passear
os dedos que procuram o gineceu
da flor aberta à fantasia

/catorze/

fálico
gesto toca as pétalas
do hibisco

a brisa eleva o linho
rocegando
os seios no murmúrio dos lábios


/quinze/

gotas de água
iluminam o teu corpo

é a sede da pele
em desassossego

/dezasseis/

beijo os teus seios

as mãos escondem-se na flora

para colher o fruto maduro

/dezassete/

pequenos lábios grandes
lábios

o aroma da rosa-de-saron

/dezoito/

com um hibisco entre os dedos

os teus lábios tocam
no carpelo e nos estames

quando o sol
te acaricia as pálpebras

/dezanove/

a espuma cobre a nudez

o silêncio
de sacra admiração

desenha o corpo
no murmúrio da água

/vinte/

mil vezes morro
mil vezes vivo

sacio a sede do corpo
e deixo eros a virtude a volúpia
nas asas de fantasia

José Félix in Lições de Eros (inédito)

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