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quarta-feira, julho 16, 2008

O meu veneno

A ignorância e a estupidez

Pior do que a ignorância é a estupidez. Pior, ainda, é a estúpida ignorância.

Quando alguém fala de alguma coisa e afirma determinado princípio sobre essa coisa, deve fazê-lo com conhecimento de causa.

Ora, têm aparecido na blogosfera muitos caçadores recolectores que ainda não passaram da fase de recolher frutos e folhas para o seu sustento. Parecem máquinas de bobinar que ora servem para bobinar ora servem para desbobinar. Há, na verdade, em certas camadas da população portuguesa «aquela» raiva e ódio de querer intrometer-se na vida dos outros, principalmente quando os «outros» têm algum sucesso na vida.

A vingança e a inveja são uma característica do português de todas as classes sociais. Esta afirmação não é só minha. O filósofo José Gil no livro “Portugal Hoje – o medo de existir” retrata claramente o estado permanente de inveja do português.
Há, claro, excepções e essas notam-se como as papoilas nos campos.

Está claro que não vou colocar aqui a mensagem enviada por alguém com falta de carácter que me disse querer vingar-se de mim por causa da proprietária de um blogue que copiou uma frase minha, e que iria fazer-me a mesma coisa do que eu tinha feito ao blogue visado. A mensagem está devidamente guardada para ser apresentada na altura e sítio apropriados.

Também não vou discorrer aqui sobre o «infinito» porque a maioria dos leitores, provavelmente, não leu ou desconhece o «paradoxo de Zenão». Nem vou escrever sobre o infinito potencial nem sobre o infinito real. Nem vou falar de hiatos, de ditonguização ou de figuras da gramática.

Para entender de alguma coisa é preciso, também, um pouco de imaginação. O que se espera da estúpida ignorância? Nada!

apenas uma circunstância

talvez o pormenor esteja no texto. compões o corpo e os lábios
mas sou eu que lhes dou o sentido literário. a comoção. a emoção
do leitor. sem sobreaviso arranco-te o coração e dou-o à mercancia
do desejo. é a finalidade da escrita. e tu só para mim. objecto das
palavras que reinvento. planto-te nas tempestades e chuvas
contínuas como se fosses o único espelho bafejado pelo sopro da
criação. através da leitura dás-me outros ventos e outras searas
com papoilas e pássaros nos olhos dos inocentes. regos de tera
manchados de sangue de um amor puro quase impuro. uma parede
branca cheia de sombras. vejo-te beber uma palavra. morrer num
verbo e numa explosão de flores ateias toda a gramática do jardim.
a suprema dor da fala. a beleza do incêndio no leito das mãos. as
bocas pronunciam os novos sinais e o fogo aceso espalha a chama
com toda a inocência. o texto talvez seja um pormenor.
a existência apenas uma circunstância da leitura.

José Félix in "Poema", Antologia de Poesia Portuguesa Actual, AULLIDO, Revista de Poesia Aullido, nº15, Punta Umbria, Huelva, Março 2006(edição bilingue).


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