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quinta-feira, julho 24, 2008

O silêncio de deus

Tenho a literatura entre os dedos
como se deles saíssem as pétalas
de uma flor encarnada que sem nome
se consumisse toda,
no texto apropriado, no contexto
da formação da escrita, revelassem
o mais pequeno pormenor, sentido
programático, útil.

Porém as coisas não são como são
as coisas impossíveis, porque estas
têm a lucidez dos lábios crus
na pronúncia da frase
quando a palavra queima um simples sopro
e um verso sai das asas de aves raras
na construção do livro corrompido
de formação estética.

A personagem que vai tendo forma
personaliza a dor na conclusão
do pensamento, quando se apetece
sair desta estrutura
onde a composição solidifica
o diálogo mais ou menos teatral
e a dor que vem de deus só se transforma
em pólipos na pele.

Religião da fala, não sei bem
onde leva a pronúncia que acontece
a dor tardia na imaginação
do acto pré-concebido.
São vozes de papel que se pressentem
guardadas nas profundas dos jarrões
que um dia as mãos descobrem na procura
da memória diluída.

Um dia saberei de toda a escrita
com o tal pormenor dos inocentes
ferindo a voz com a palavra viva
no domínio da morte.
A permanência do segredo tem
no desenho das mãos de sangue e água
a estrutura guardada, o compromisso
do silêncio de deus.

José Félix

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