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quarta-feira, agosto 20, 2008


O meu veneno

A política de veludo


A União Europeia continua na senda da política de veludo. Foi assim nos anos noventa nos Balcãs, também foi no Iraque, no Afeganistão, e agora, claro, no Cáucaso.

A Geórgia deixou-se enredar pela política de urso da Rússia, enveredando por um caminho cuja resposta czarista veio pôr fim. Os políticos da União Europeia desconhecem a história ou fingem desconhece-la. A política russa é uma política imperial com o sonho da Grande Rússia que teve o auge com a União Soviética e, penso, com um interregno pós glassnost. Putin, saído das malhas da antiga polícia do KGB imprimiu a nova dinâmica para a construção da Grande Rússia, além das influências geoestratégicas. A garra do Urso já fez algumas feridas no Cáucaso. É um sério aviso àqueles que querem tentar sair de debaixo do seu jugo.

A União Europeia cala e consente com medo de perder o gás que vem dos gasodutos que atravessam os países da zona. Esta política de veludo de uma no cravo outra na ferradura terá os seus custos.

Além disso, a U. E. não tem moral que baste para condenar a Rússia quando nada fez nem nada faz quanto à desagregação nos Balcãs com a separação do Kosovo da Sérvia.





Para o Pedro Mexia



O meu inimigo



Andas comigo, amigo inimigo
grudado no meu corpo como a carraça das ervas.
És a sanguessuga e sorves o meu sangue
a minha palavra, o meu desejo.

Às vezes tenho a sensação
de que andas com o meu rosto
e te ris como eu me rio
e serves-te da minha mão, da minha caneta.

Vascas como se eu estivesse ao espelho.
Não! Tu, que estás desse lado não sou eu;
não sou tu quer queiras ou não;
sei que existes e não és nenhum fantasma.

a rondar a minha biblioteca, o meu quarto.
Não cabes nas fendas das janelas.
Tens a cumplicidade da minha voz.
Sem mim não és nada.

Finges que andas sobre as árvores como os duendes
e te escondes nas ramadas
com o intuito da imitação dos meus gestos
do tom da fala, das minhas frustrações, da doença.

Garanto-te, inimigo amigo, que tens os dias contados.
O relógio biológico que te regula é o meu.
Quando chegar a hora da partida
nem o fantasma da tua sombra me terá.


José Félix

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