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sexta-feira, agosto 29, 2008

o vislumbre

hoje, sem qualquer travo etílico
vi-me no espelho dos dias
e disse para mim tens uma gravata surrada
pensei no colarinho sujo
e nas palavras que acompanham
esta visão de pedinte que se constrói
através da literatura.

qual quê. a miserabilidade é um pequeno esforço
para nos sentirmos grandes perante as convenções
que guiam as páginas do poder
e, tal como os miseráveis que vomitam nas catacumbas do metro
ou os que tocam pessimamente instrumentos de corda
ou concertina com uma mão e a outra estendida ao mundo
nas esquinas da cidade ou no fim das passadeiras para peões
sentimo-nos escarro
conforme a escrita se vai colocando
em frases, em parágrafos, com algumas metáforas pelo meio.

os pombos continuam arrulhando
sobre os candeeiros velhos
e os dejectos já não deixam ver
como é o rosto da estátua de bronze
que definha verde no largo da cidade.

uma velha boceja de tédio
à sombra do salgueiro.

a janela é o vislumbre da escritura
na construção natural da condição humana.

josé félix

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