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terça-feira, outubro 21, 2008

Nocturnos


[1]

O sorriso desfaz-se
na dor mais terna.

uma pequena luminosidade
apaga-se definitivamente.


[2]

O que diz uma lágrima?

A lembrança ou o esquecimento
a memória no cheiro
de uma flor.


[3]

Só o piar dos pássaros
amanhece
a quietude das árvores

Um gato, um cão e um melro
passeiam sobre as folhas secas


[4]

Descobre o rosto, meu amor
as dálias abriram-se
com o sol da manhã

Principia a cura
da ferida aberta


[5]


Segue-me a sombra
duplo silêncio
na confidência do caminho

Quanto mais se ilumina o dia
mais transparece a sombra
nas arestas da cidade.


[6]


Tenho a doença das manhãs submersas

No paradigma da respiração
sustenho a morte
que lentamente vai
abrindo a porta
da corrente da água.


[7]


O sono é a irrealidade
da morte

mesmo que estejamos deitados
na mesma inocência


[8]


Com a ponta dos dedos
desenho ninhos de água

Distorce a realidade
o rosto límpido
na fuga líquida da simetria.


[9]


Anoitece

recolhe o dia ao casulo do silêncio

as lágrimas
são o prenúncio
de uma dor calma


[10]


O trigo
o joio

as sombras iguais no espelho.

José Félix

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