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domingo, dezembro 14, 2008

Tacto

A minha casa tem tacto.
Sublinho-lhe a pele misteriosa da memória
reconstruída na modificação adequada
da posição da mobília.
Entre uma discussão metafísica e outra
a escatologia ganha terreno na decoração
das cortinas e, como os chineses, prefiro
os desenhos para fora da janela
na corrupção dos olhos
que sonegam a intimidade alheia.
Vou tacteando a infância nas paredes velhas
vou passeando lubricamente pelos quartos de dormir
e sorrio na velhice uma casa imperfeita
já sem gente dentro, e onde mora
a solidão dos génios que ecoa
nas arestas, nos copos em cima da mesa de carvalho
nas fotografias amarelecidas, e nos olhares das pessoas
que se comprometeram no relâmpago
da máquina fotográfica.
O tacto é uma pronúncia simples de um verso
que tenteia no escuro uma quase luminosidade.

José Félix

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