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quinta-feira, janeiro 22, 2009

palavra parelha[1]


a palavra parelha lava a língua

leva no verso a água que transborda

do lábio limpo, a lavra que perdura



na lavradura da semente grada

engravidada com a persistência

a paciência com que a boca fala



palavra emparelhada, bois na canga

opada a fanga com a frase culta

exulta no caminho da emoção


o canto, a escritura, a alegria

texto que se agarra à margem árida

concerta outra parelha na linguagem



josé félix



[1] título do último livro do poeta aníbal beça

aníbal beça, "palavra parelha", edições gato branco, 2008, brasil


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segunda-feira, janeiro 19, 2009

O meu veneno

Genocídio

É preciso haver um certo cuidado com a língua quando aplicamos algumas palavras em determinados contextos. Ora, nesta guerra que opõe o Estado de Israel aos terroristas do Hamas o termo «genocídio» nunca foi tão vilipendiado como agora.
Nos dicionários de língua portuguesa dizem que «genocídio« é a destruição metódica de um grupo étnico, pela exterminação dos seus indivíduos.
Se leram a Declaração de Princípios do grupo terrorista do Hamas (até ganhou eleições pela via democrática, mas Hitler também as ganhou vi-se o resultado!...), se realmente se deram ao trabalho de a lerem, o que duvido, vêm que há lá um ponto em que se preconiza a destruição do Estado de Israel e, por consequência, de um povo. Isto é uma declaração de prática contínua de destruir o «outro».
A hipocrisia de esquerda vai até ao ponto de não denunciar o genocídio perpetrado pelo governo islamista do Sudão contra os habitantes de Darfur. Não denunciam práticas de excisão clitoridiana das mulheres islâmicas. Não denunciam a escravatura feita pelo governo islamista da Mauritânia. Não denunciam os graves atropelos contra os direitos humanos nos estados islâmicos que não permitem às mulheres exercerem cargos públicos e muitas profissões. Não denunciam o estado de submissão esclavagista das mulheres. Vêm agora tecer impropérios contra Israel que invadiu Gaza para decapitar uma organização terrorista que durante 8 anos enviou mísseis para dentro das fronteiras israelitas.

É evidente que se um milhão diz uma coisa, não quer dizer que esse milhão tenha razão.

em masada
entre ein-gedi e sodoma
oiço longe o shophar um canto rouco
alonga na judeia o deserto.

a guerra não é feita ao sopro do vento
e as pedras multiplicam-se por mil
nas mãos dos que ali são
há mais de três mil e quinhentos anos

herodes edomita de esaú
triador patriota
defende a palestina
às mãos de augusto
encimando o castelo
da resistência e auto flagelação.

já longe vai o tempo dos amores morenos

via-te correr pelos jardins
gazela
com um ramo de mirra entre os cachos maduros
os seios onde o mel adoçou os meus lábios

anah o pescoço esbelto
como uma torre de marfim
enfeitada
de safiras

não há campos de cedros
e o resto dos que existem
queimam
na fogueira de campos de refugiados.

o líbano o doce líbano
dos cipestres dos lírios
o forno onde se queimam ódios
filhos filhas
de uma só pátria.

em masada
molho as pedras de vários mil anos

como um gamo ferido desço
os quatrocentos metros que me separam
das emoções.

hoje não vou ao muro das lamentações.

jacob kruz

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

sem notícia

um dia vi a carmo estupefacta
a olhar para o esboço da falésia.
o olhar de precipício anunciava
uma vertigem de sinceridade
que nos momentos de loucura
mostram o rosto iluminado e puro
conhecimento da verdade lida
nos escombros do pensamento
─ fábrica da ilusão inacabada
no cemitério que é das coisas feitas.
submeteu os passos à negação
quando a água lhe lavou as mágoas
o mar lhe entrou no corpo e o dia
deixou de ser notícia particular.

josé félix

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domingo, janeiro 11, 2009

O meu veneno

A hipocrisia da esquerda

Tem-se dito e escrito muita coisa acerca da guerra que opõe o Estado de Israel e o Hamas. Uma grande percentagem das notícias é falaciosa, falta à verdade e é, normalmente, parcial e pró Hamas.

Durante o período de tréguas e enquanto o Hamas lançou "rockets", mísseis Qassam e outros mísseis de origem chinesa para o Estado de Israel, não se viu nem se ouviu um lamento, uma revolta contra o terrorismo do Hamas que é uma organiação que não aceita o Estado de Israel, o único estado democrático da região.

Inês Pedrosa diz que os mísseis do Hamas são de chocolate e, por isso, a esquerda cheia de complexos

inibe-se e fica constrangida para denunciar os crimes cometidos por esta organização contra o Estado hebreu. Isto, por um lado.

Por outro lado, não se vê a esquerda denunciar as ditaduras islâmicas em África como, por exemplo, a do Sudão que comete genocídio contra os habitantes da região do Darfur; não se revoltam contra os regimes ditatoriais árabes que espoliam o seu povo, onde as mulheres não têm direitos políticos, civis e são meros sacos de reprodução e vivem na qualidade de escravos; não falam na ditadura da Mauritânia onde há escravatura dos não muçulmanos.

Parafraseando, ainda, Inês Pedrosa: "Israel é uma nação, o Hamas é um gangue."

o cânone da corrente

vejo-te nascer de um lábio ferido.

na humidade que poisas na flor

sossega a grandeza da humanidade.

não há plebiscito para a condição humana

mesmo quando se perverte o estabelecido.

para que nasças basta um cristal de água

adormecer-te a semente

e a sede te visite religiosamente

segundo o cânone da corrente.

o teu lábio curar-se-à de seiva.


josé félix


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quinta-feira, janeiro 01, 2009

2009

Pois é, caros amigos e leitores. Começou o ano de 2009, chamado também de Ano Novo e de Bom Ano.
Todos sabemos que de novo não tem nada. Acordei hoje de manhã e o início do ano de 2009 é precisamente igual ao fim do ano de 2008: nevoeiro, com chuva; o mesmo primeiro-ministro e ministros das diversas pastas. Temos o mesmo Presidente da República e os jornais dizem todos as mesmas notícias. As televisões focam o mesmo problema com os esquerdistas complexados a beijarem o cachecol palestiniano.
Os bancos continuam a ter os avales do Estado com o beneplácito dos cidadãos contribuintes e cada vez mais pobres para alimentar a avidez dos cada vez mais ricos banqueiros.
Enfim, tudo na mesma: o país, cada vez mais apodrecido pelas políticas ineficazes, dorme o sono dos injustos porque sente-se incapaz de pegar no bastão.
Resta-me agradecer àqueles que tiveram a bondade de visitar este espaço, e, com os comentários que fizeram, deram o seu contributo para a abertura possível e discussão das ideias.
De bom o ano de 2009 também não se prevê que o seja: vai aumentar o desemprego, vão aumentar as tensões sociais e o país vai ficar mais triste do que é.
É o país do fado!

flores visitem os teus dedos
delas nascendo frutos!
francisco coimbra




num jardim, em córdova
deste-me os teus olhos
para ver as flores.

tinham a substância
da fala menor
e a melancolia
dos teus longos dedos
─ é o eco dos frutos ─
veio para mim
limpo nascituro
no início da luz.

é, talvez, por isso
que no teu olhar os
frutos nascem cedo.

josé félix

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