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o local da memória
perdeu o lugar
a sensibilidade dos dedos
quando a libelinha poisa
na folha da cameleira
vieste aqui
para olhar a água
simplesmente olhar o espelho
que muda o rosto
no mais curto assobio de vento
e neste lugar
presencias o canto das asas
na ordem mais perfeita das coisas
sem caos
a pele de repente vazia
apodrece
ao lado das pedras.
josé félix
# posted by José Félix @ 2/08/2010 01:03:00 PM
Ainda a morte de um país
Seis meses depois de ter colocado um texto acerca da agonia e morte de Portugal, verifico com tristeza e admiração que, afinal, os mídia não estão tão afastados da realidade, apesar de terem acordado tarde demais.
A morte de um país tem tradução na incapacidade das forças «vivas» da nação denunciarem os atropelos aos direitos, liberdades e garantias cometidos por um governo autista, onde predomina o banditismo organizado. Ora vejamos:
- Tudo começou com o caso da Universidade Independente associado à licenciatura do cidadão José Sócrates, actual primeiro-ministro de Portugal. Seguiu-se o caso Freeport, o caso da Cova da Beira, o caso Face Oculta, o caso das escutas com a tentativa do governo socialista, na pessoa do primeiro-ministro, querer controlar a Comunicação Social, afastando os jornalistas incómodos de estações de televisão, jornais e rádios.
Denunciei aqui, sempre, com a acuidade necessária, todos estes atropelos às liberdades fundamentais.
Só agora, alguns jornalistas que são fazedores de opinião deram o «braço a torcer» e já dizem que este primeiro-ministro não tem condições para continuar à frente da governação.
Eu sei que há muito em jogo, principalmente a reeleição do Presidente da República e os compromissos internacionais e os compromissos com a União Europeia.
Tudo isso valerá a pena se continuarmos com este governo incapaz, corrupto a raiar o banditidmo?
1
o lugar onde
me circunstancio
é a clareira
da memória, rara,
que leva os dedos
para o corpo feito
de um desejo,
que ficou na cinza
de um fogo aceso
e consumido, breve,
na emoção
de uma palavra em chama.
o lugar, brasa
que me veste o corpo,
fotografia
de um olhar cativo
─ a circunstância
dupla e eficaz,
e que regista
a memorização
do próprio fogo
de todo o lugar.
é uma fuga
o local da memória.
José Félix
# posted by José Félix @ 2/07/2010 06:04:00 PM